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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


 

 

Cheguei a uma etapa da minha vida em que pairo entre um estado de "não sei onde estou/não sei para onde vou VS esta sou eu?/não me sei definir".

 

Sinto que falta-me tanto, sinto um aperto constante dentro de mim e sinto ainda falta do tempo em que tinha certezas de tudo. Em que via as coisas com clareza, em que sabia o que queria, tinha convicções no que dizia, de quem eu era.

 

Agora olho, opto por falar ou simplesmente sorrir. Opto por deixar ir ou não. Opto pelo que me ocorre na altura. Opto por não chorar. Mas apetece. Apetece chorar e não consigo. Tudo me foge das mãos.

 

Tenho a minha casa que tanto amo, o meu espaço, o meu mundo que abre portas com alegria. Que cheira bem. Que cheira a mim. O meu pijama velho, "farda trabalho", que sem ele não vivo, os meus Cds - banda sonora da minha vida - , o edredão quente que me diz "Hoje tens um sitio teu para dormir". Mas não descanso. Tenho acordado sobresaltada com medo que comece tudo outra vez. Empacotar coisas. Sair.

 

Tenho as "miudas" que pegam nas minhas meias acabadas de apanhar do estendal e que mas escondem no cesto dos brinquedos. Parece que querem algo meu para cheirar e recordarem quem sou se eu tiver que sair outra vez. É isso que sinto nelas. Sempre tensas, sempre a medo.

 

Vivemos as 3 sempre na corda bamba. Guardar mantimentos hoje, para amanhã não faltar. "Hoje só comem ração, temos de guardar aquela latinha para um dia especial...". Na minha cabeça tento pensar que não lhes dou a lata por castigo face a algo que possam ter feito de asneira na minha ausência, mas o meu coração sabe que é para poupar. Olham para mim com olhinhos suplicantes de "Mas então nem um bocadinho de comida de lata?". E se doi.

 

Quanto a mim nem sei a sorte que tenho. Todos os dias me espera jantar. Tenho imensa sorte. Sei que se tivesse que fazer sempre comida o dinheiro não iria chegar. Já não chega. Tenho de deixar de fumar. São 60 euros por mes. Davam para imensas latas.

 

Tenho de deixar. Cortar com o que resta do passado que ficou. O fumo. So me falta isso. Que me pesa em consciencia e na carteira. E na comida das "catraias".

 

Sinto-me egoista. Fumar e as gatas só comerem ração. Sou fraca. Sou um ser humano.

 

 

Hoje doi-me o estomago. Dos nervos. De pensar. De fazer força para não rebentar. De não acabar com isto que me consome. O passado infiltra-se na minha mente como um manto doentio. Sufoca-me no presente. E vou esperando pelo futuro roendo as unhas de nervosismo e insatisfação comigo mesma.

 

Não sei o que tenho. Deve ser dor de consciencia. De saber que falho quando não falhava. De não ser o que esperava ser. De ter noção que quando somos grandes, somos adultos, acarretamos com a dor do mundo inteiro. Tudo nos afecta, tudo doi, tudo consome. Sinto-me a fraquejar. E sinto que nada farei na vida de especial para mim. Não queria ser reconhecida, mas reconhecer o meu proprio valor para mim mesma. Olhar para dentro de mim e dizer "Sou assim! E tenho orgulho!" mas ao invés coro de vergonha. De achar que fiz demasiados filmes na cabeça para a minha vida e chegar aqui sem nada.

 

Estou mesmo cansada psicologicamente. Pensei que não me matava mas moi. Moi e doi. Não sossego. Não consigo. Nada me dá gosto fazer. Estou tensa. O corpo move-se para onde tem de ir. Para a obrigação. E vai como aqueles animais que já sabem o caminho. E não sou capaz de pegar em mim e dizer "Não! Vais à luta e vais erguer!". Estou sempre a lamentar-me quando até tenho tudo. Lamentos e mais lamentos... Sou uma parasita se continuar a lamentar-me. Uma mal agradecida por tudo o que fazem por mim. Porque não deveria e deveria agradecer a Deus pelo que tenho. E deixar-me de lamúrias.

 

 

Acordar para a vida... Levantar este cu malcheiroso da cadeira e atacar nas oportunidades. Não esperar que apareçam mas vasculhar... Criar a minha própria sorte...

 

 

 

 

Esta sou eu. Forte por fora, fraca por dentro... 

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1 comentário

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De lady bug escorrida a 18.10.2008 às 00:44

mê amori

és linda

para a frente é que é o caminho, não baixes os braços...

LAVE IU

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