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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!

15
Mai11
Entrei em casinos umas 3 vezes em toda a minha vida. Todas elas para "apenas ver" ou tomar um café assistindo a um espectáculo. Sempre vi os casinos como um antro cheio de compulsividade, de pessoas que não sabem que fazer à vidinha e de "aventadores" de fortunas e heranças. Sempre pensei que quem ali caía gastava o seu dinheiro raramente conseguia sair e nunca ganhava nada pois que sítios daqueles lá teriam as suas manhas para que o dinheiro acabasse nas mãos do estabelecimento fosse como fosse. Penso que tudo isto vem da educação que me deram de me resguardar de potenciais vícios e ouvir ou ver que fulano tal gastava o dinheiro todo no jogo ou que a não sei quantas devia uma pipa de massa por causa do jogo. Whatever...

Daí que ontem, a medo, lá fui para novamente "ver" alguma coisa. Fomos eu, o meu Jacinto e um casal amigo nosso para que eles jogassem qualquer coisa. Sendo que no caso do meu Jacinto 30 euros seria o máximo porque nós temos um carro para comprar e muito em que investir e o pobre lá foi com a sentença lida sem precisar de lhe dizer nada de concreto. Rumámos a Badajoz e visto eu nunca lá ter entrado tiraram-me uma fotografia que nunca saberei como ficou dado que fui apanhada de surpresa e apenas serve para efeitos de registo. Eu tremia por todo o lado - nem contei isto a ninguém com vergonha - mas achava que estava a cometer um acto horrivel, um pecado mortal e que iam todos começar a jogar e a perder balúrdios sem quererem sair daí. No entanto eu tenho de começar a perceber que algumas pessoas também se sabem controlar e não apenas eu tenho essa disciplina mental com algumas coisas que acho nocivas. Acho que desde que deixei de fumar estou pior e mais recta quanto ao não deixar a vontade física e psicológica andarem às turras entre si.

Os 3 falavam de termos de jogos que para mim soavam aos e-mail's em Mandarim que recebo todos os dias no trabalho. Se me perguntarem que jogos de cartas sei começo a corar e digo baixinho:

"Ah... Bom jogar eu não gosto muito sabes... Chateia-me... Estar ali a ver cartas e... Epah... Ao burro em pé e ao peixinho..."

"Como?!"

Algumas pessoas nem devem saber muito bem o que isso é ou já se esqueceram.

"Isso..."

 Já a minha mãe é um ás em muitos deles e o meu pai nunca o vi jogar mas faz uns truques engraçados com as cartas. Contudo sempre me incutiram no espírito que jogar é mau...

Sendo que para infortúnio do meu Jacinto jogar o seu amado Poker estava fora de questão pois a mesa estava fechada. Havia apenas Poker contra a mesa. A diferença é que o outro Poker seria tipo torneio e todos contra todos e não contra a mesa (que para quem não sabe é o próprio casino). Adorei o facto do Casino estar com pouca gente e tenho a perfeita noção que para a minha primeira vez teria de ser assim. Dirigimo-nos para a roleta. Começo a ver pessoal que não o meu a trocar bastante dinheiro fazendo-me espécie de como trocam várias notas de 50 euros sem sequer olharem para elas duas ou três vezes ou dizerem-lhe adeus com direito a uma salva de tiros ou uma cerimónia mais elaborada e respeitosas condolência à carteira. Nada... E nós nada nos saiu também.

Nisto começamos a ver a outra mesa de Poker contra a própria mesa com um senhor já bem bebido e alterado. Um homem fala com ele e chama-o à razão. Pede-lhe que se acalme e fale baixo. Viramos costas e dirigimo-nos para o lado oposto o dos dados. Encontramos mais gente aqui da aldeia e sentamo-nos ali - eu só observo sendo que os tremores já me tinham passado e já estava mais à vontade. O meu Jacinto já só tem 2 fichas de 5 euros que trazia da roleta e está a perder. Pergunta-me onde deve colocar as fichas... Algo me diz "Pequeno" e pimba! Acertamos. Ganhamos outra ficha. Ele estrega-mas e diz que estou por minha conta. Vai, vai, vai... Tumba! Acerto novamente no pequeno. Fico com o dobro do que aquilo que comecei. Entro em transe completamente. Ouço as vozes na minha cabeça: grande ou pequeno. Escolhe grande. Sai grande. Outra ficha. 25 euros. Escolho pequeno. Sai grande. O Jacinto diz para continuar a jogar, são 20 euros não faz mal... Pondero... Vá só mais esta (parecia os que jogam a alto e perdem tudo). Ganho. Deixo passar mais 2 jogadas e concentro-me. Ganho. Ganho. Ganho. Perco. Ganho. Ganho. Ganho. E ganho novamente. Com isto chego aos 110 euros e os nossos amigos e conhecidos riem-se de eu ser bruxa. Entrego 100 euros de fichas ao Jacinto e jogo com 10 euros apenas. Sei que vou perdê-los porque não me concentro. Os nossos amigos começam a apostar no mesmo que eu e perdemos todos. Uma, duas vezes. Eu já tinha sido abandonada pela minha maré de sorte pelo que peguei nos 100 euros e fui trocá-los por dinheiro verdadeiro e passei o resto da noite a ver os outros estourar tudo o que tinham e não tinham. Acabámos a observar a mesa do homem bêbado que tinha uns 60 anos e um namorado da nossa idade todo depilado. Ganharam bastante mas gastaram uma pequena fortuna. O homem tinha maços de notas nos bolsos que metiam respeito. O homem tinha uma tatuagem no braço assim muito rasca e esbatida representando um olho. O homem bebia e gritava. Medonho mesmo! Achei eu que guardava ali uma fortuna com os meus 100 euros que tanto jeito me fazem este mês. A minha visão de pobre comparada com os maços de notas do senhor do olho tatuado no braço é abissal.

Daí que hoje não me canso de dizer que ganhei 100 euros quando gastámos ao todo apenas 30 e que muitos gastaram tanto e nada levaram.

Quando contei ao meu pai e para me darem razão quanto aos meus receios a primeira coisa que ouvi do outro lado do telefone, como se eu não fosse uma mulher, quase casada, que ganho o meu e já dei mais provas provadas que sou responsável por mim, foi:

- Cuidado!

E fico por vezes a pensar que se eu não fosse a certas coisas, mesmo que com medo, que me diziam ser nocivas, boas mas viciantes ou que teríamos de o fazer de forma conscienciosa - que só por isso já me deixa com o cu arrepiado - metade daquilo que sou, vivi ou conheço não tinha absorvido, feito ou conseguido. Se isso é bom ou mau não sei mas fazem parte de mim anyway...




(Imagem da Web)

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03
Abr11
Finalmente alguém que conseguiu expôr o que sinto em relação ao tabaco... Ou à falta dele.

Falo do que o Sociólogo Alberto Gonçalves escreveu na sua coluna "Juízo Final" na Sábado n.º 360, passando a citar algumas passagens porque tentei encontrar o texto online para fazer um mísero copy/paste e não encontrei nada... Também só tentei 1 minuto ou 2...

"Pela primeira vez em quase duas décadas de consumo, podero a hipótese de deixar de fumar (...) Custa? Fisicamente, não tanto quanto a propaganda das terapias de desabituação apregoa. Emocionalmente, desculpem o horrendo termo, é devastador. O problema não passa (sem trocadilho) pela carência imediata: passa pela carência imaginada. O problema é antecipar uma existência sem tabaco.
Queira ou não, recordar a existência com tabaco implica associá-lo a cada instante feliz da minha idade adulta. Se folheio um álbum de fotografias, de papel, disgitais ou mentais, constato uma única permanência.Os lugares são diferentes, as pessoas são diferentes, eu próprios pareço diferente de uns retratos para outros. O cigarro, porém, está sempre lá, e assusta supor que um dia possa não estar. Não é saudade precoce, é a impressão de que talvez o cigarro não se limite a testemunhar os momentos áureos: e se, em razoável medida, foi o responsável por eles?
Nunca ouvi uma ex-toxicómano ou um ex-alcóolico relembrarem com doçura o tempo em que torravam o cérebro ou o fígado. Mas, à semelhança dos amputados, metade dos ex-fumadores que conheço evoca enternecida a época em que o cigarro era parte fixa de si. E suspeito que a metade restante é mentirosa.
Toda agente sabe que, além de um pulmão, fumar pode retirar-ns um pedaço de vida. Falta inventariar os pedaços que acrescenta, uma contabilidade indispensável e impossível."

Gonçalves, Alberto (2011), "Pedaços de Mim", Juízo Final, Revista Sábado, 24-30Março 2011, Pp. 114


As palavras deste homem acalentaram e iluminaram o caminho desta minha alma moribunda pela falta do meu companheiro de tantos e tantos momentos. Afagou-me as costas como que um amigo que está na mesma situação que nós e sabe perfeitamente como nos sentimos ou que descreve aquilo que não conseguimos deitar cá para fora. E por haver alguém que tão bem conhece aquilo que sou enquanto fumadora (ou ex...) sinto-me com forças para continuar esta caminhada. E aqui vamos nós nos 48 dias sem tabaco.

Ontem depois de uma jantarada com amigos do Jacinto em que o ritual de muitos deles sem mantém inalterável levantando-se da mesa, tal e qual como fazíamos, fez com que os meus olhinhos procurassem o primeiro vislumbre de um cigarro a ser sorvido. Aquele olhar envergonhado que é desviado porque a pessoa, sabendo que deixámos de fumar, pode olhar para nós e contemplar não um sorriso mas um esgar de tortura ou um ar completamente transfigurado do nosso ser... Eu estava com medo de me atirar à primeira pessoa que olhasse para mim de cigarro na mão e reclamá-lo para mim tal era a fartura de comida que ainda sentia entre os dentes que me fazia querer aniquilá-la com o sabor de papel queimado com um aroma a alcatrão. Levantámo-nos e fomos ao carro buscar as nossas pastilhinhas de morango e maçã. Para compensar todas estas emoções comi tarte de maçã e bolo de bolacha como se não houvesse amanhã e eu fosse a maior apreciadora de sobremesas que existisse no mundo. Eu que nunca comia destas coisas cheias de natas e açúcar aos punhados dou comigo a revirar os olhos de cada vez que uma colherada cheia de bolachas embebidas em leite condensado se aproxima da minha boca. As papilas gustativas dão saltos e deitam foguetes. A comida tem sido a minha salvação. Mas tenho perfeita noção que estes 7kg que engordei nestes 48 dias me vão trazer dissabores.

Hoje já estou bem... Não tenho vontade alguma de fumar. Amanhã já não sei... Se houvesse um gráfico que medisse as minhas vontades veríamos que a contante não existe...

Ontem pela primeira vez senti falta de ter mais amigos. Ou daqueles que tenho mas estão longe... Já tinha saudades mas ontem revelou-se uma torção de estômago. Os do Jacinto são os dele. Contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que posso considerar meus também até porque nestas coisas de amizades sempre gostei de escolher quem quero e não aqueles que vêm por arrasto de quem faz parte de mim. E alguns dele/as dispenso muito bem. Respeito-os e respeito as escolhas do Jacinto. Mas sinceramente tenho alturas que munida de um cigarro nos queixos e uma pá, fazia um bem à comunidade tremendo.

Tenho saudades horrendas deles no entanto esta distância diminuiu os contactos e começo a considerar que amigos mesmo amigos que se lembrem de quem sou de verdade, tirando a família, são zero. Em parte é culpa minha, sei-o perfeitamente. Nunca fui amiga de andar às mensagens, telefonemas... Não gosto que andem em cima de mim e faço o mesmo aos amigos. Durante anos tinha grupinhos engraçados que conseguia manter à base de muita comunicação e saídas mas sei lá eu... As pessoas transformam-se... E não é que me dê trabalho e eu tenha mais que fazer, nada disso, não tenho feitio para me moldar a isso. Não tenho paciência para contar as mesmas histórias 20 vezes e neste mundo a única pessoa que me conhece perfeitamente e as minhas mil e uma aventuras e desventuras é o Jacinto. As pessoas que estão de fora diriam que é mau porque a vida tem mais que uma relação a dois, sei-o e aceito, mas tenho lá eu tempo para me dar a conhecer ou plantar a sementinha da amizade num vaso novo. Deixei de acreditar muito nas pessoas e aqui é tudo tão pequenino que ainda os meus pensamentos estão a caminho da boca já toda uma freguesia inteira os sabe. E tenho muito mas muito que resguardar da minha vidinha e da do Jacinto.

Durante anos estive rodeada de gente mas tão sozinha que questionei a palavra amizade muitas vezes. E outras vezes tão apenas só que me habituei a isso. Daí que esta nossa bolha a dois é tão confortável e segura que meter o nariz de fora e respirar outros ares que outras pessoas respiram, ouvir as suas opiniões e desaforos me causa alergia. Penso que estou tão concentrada na nossa vida a dois, nos nossos planos e criar meios de moldar algo confortável para a nossa existência e da prol que daqui a uns anos nascerá que sinceramente não penso em nada mais. Por vezes prefiro sentar-me ali fora no degrau da porta da cozinha para o quintal e ficar a observar o Pablo e a Pipa a correrem atrás um do outro ou a pedirem-me festas do que ouvir meia duzia de fulanas histéricas a falarem da vida delas ou das outras, do que vão fazer para o jantar ou do preço do arranjo das unhas. Os meus cães têm um poder de reflexão e relaxe muito poderosos e todos os dias dou graças a Deus de os ter porque descanso completamente a cabeça quando os vejo.

Pelo que na sexta-feira ao fim da tarde, depois de uma semana de trabalho, chegámos a casa, mudámos de roupa e fomos até à barragem a pé































E se isto não dá prazer a uma qualquer alma cansada... Não sei o que andamos aqui a fazer...




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O contrato de 6 meses mantêm-se... Foi o que o Dr. Where's Wally? me disse... E se tudo correr bem é para ficar para todo o sempre.

Foi um alívio muito grande, garanto-vos...




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30
Jan11
Ver os episódios do programa The Hell´s Kitchen faz-me crer que já deveria ter desistido de cozinhar há muito mas muito tempo... Não tanto pela comida em si mas pela ausência de esforço e paixão com que pego na colher e mexo uma panela de sopa...




A minha irmã teima em afirmar que não sei cozinhar pois nunca provou nada do que eu cozinhasse. Pois bem posso garantir que sei cozinhar, sei fazer imensas porcarias e nem pego em receitas a menos que sejam pratos exóticos e merdas dessas. Não olho a quantidades, vai tudo a olho e se sair mal quem quiser faça melhor ou vá comer ao restaurante aqui ao lado. E também tenho mau feitio pois não gosto que me peguem naquilo que faço e às vezes tenho pegas com o meu Jacinto pois ele adora cozinhar e meter o nariz nas coisas o que por vezes deixo outras nem por isso, dependendo da neura.

Se me perguntarem se gosto de cozinhar digo já que depende. Se for algo novo ou que me apeteça imenso faço com gosto ou então com irritação pois tenho fome e nunca mais me despacho com aquilo para comer. Tudo isto vem de um passado em que não me ensinaram a fazer comida de espécie alguma sendo que aprendi a ver e a fazer experiências sozinha e também porque enquanto vivia sozinha dependia de um pacote de bolachas e um copo de leite à noite para jantar.

Tenho uma avó, mãe e irmã que cozinham lindamente e eu apenas não fui aproveitada. Pois tenho um paladar requintado e um toque fenomenal para a coisa pois sei que me saio bem em determinadas áreas. Quando tenho a certeza que o sei fazer as coisas saem bem, quando não tenho a certeza admito e deixo que o façam. Mas existem dias em que a certeza fica bem trás da vontade e a coisa acaba por chegar a umas míseras torradas com sumo de pêssego.

Mas uma coisa eu adoro cozinhar. Comida para os meus cães! Não há nada que me dê mais gozo que fazer uma panela de comida para cão. Restos de carne, massa, um caldo Knorr para dar gosto, misturar tudo com pão duro et voilá! Eles deliram, não reclamam pois não é a merdosa da ração habitual e até repetem. No fim arrotam e vão dormir de pança cheia! Nasci para isso.

É isso e lavar a casa-de-banho! Venha de lá a D.ª Maria, criada da Henriqueta Elisabeth da Cunha e Sá Fonseca-Galhão que não consegue fazer melhor! Se não tivesse panelas em casa a minha sanita servia perfeitamente! O meu bidé pode ser usado para beberem o melhor vinho da melhor reserva! A minha banheira é digna de um Rei Árabe! E o meu lavatório poderia ser usado para que a mulher mais bela deste mundo pudesse lavar a fronha nele!

Nah! Casas de banho é comigo e eu adoro limpar uma casa de banho! Nada me sabe melhor que sentar o meu rabo na minha sanita cheirosa e limpa! Não há nada que não seja branco nela! Aquilo brilha como um diamante em água cristalina! E isso é o que de melhor faço quando me armo em dona de casa.

Por outro lado sou muito desarrumada. Sou-o. Mas o Jacinto bate-me aos pontos. Mas sou-o com a roupa. A roupa de verão é misturada com a de inverno, tenho tudo ao molho enfiado em gavetas e caixas e pouco me preocupo se tem um botão caído. Maior parte da roupa nunca viu o ferro. Só passo camisas e no verão alguma cueca na qual possa ter passado algum bicho. De resto, tiro da máquina, sacudo bem sacudido e estendo o mais direito que posso. Sou desleixada quanto a roupa mas tenho sorte de ter um marido que não gosta de calças passadas a ferro e não liga a meias viradas do avesso quando são arrumadas. O que é certo é que as roupas ficam direitas e nem precisam de ferro. Por outro lado quem me vê vestida e ao meu Jacinto vê-nos impecavelmente engomadinhos e aprumados. Faço 4 a 5 máquinas de roupa por semana e não suporto roupa que fica estendida um dia e ganha cheiro do que quer que seja. Vai logo para a máquina novamente. Nisto sou péssima dona de casa contudo acho que o tempo pode ser aproveitado bem melhor que o passar agarrada à tábua de engomar se posso ter a roupa direita à mesma sem precisar de o fazer. Isto vem também do tempo de estar sozinha. Claro que se estivesse desempregada passaria a ferro pois tentava ocupar o tempo mas se existem coisas mais importantes a fazer a roupa será certamente a ultima coisa com que me vou preocupar.

Odeio lavar a loiça mas alguém acaba por o fazer. E normalmente tentamos não deixar loiça para o dia seguinte. Quando não apetece não apetece e fica assim como está. No entanto odeio ver a cozinha desarrumada e isso deixa-me paranóica. Daí que por vezes parecer que me contradigo. Odeio uma casa desarrumada mas eu sou desarrumada com outras coisas.

Mas sou asseada comigo, o meu Jacinto é o cúmulo do asseio somos com a nossa casa e daí que as coisas até correm bem. Certo que hoje limpámos tudinho e amanhã já estará uma desgraça com toda esta malta cá em casa. Terça-feira já estarei a bufar e a dizer mal da minha vida.

Não passo lençóis a ferro, os nossos corpos fazem-no lindamente, não passo fronhas, nem panos de cozinha, não passo toalhas de mesa pois não as uso e as do banho são dobradas apenas, não dobro meias como se fosse o Principe das Astúrias a calçá-las, mas sim enrolo-as numa bolinha, não tenho jeito para a custura a menos que seja para remendar uma pequena rasgadela ou pregar algum botão e se se notar muito a ausência dele caso contrário fica meses guardado à espera da sua vez. Limpo o pó de 15 em 15 dias e é só nos sítios que é visto, porque em cima dos armários é muito alto e eu só tenho 1,65m. Tenho imensas caixas e caixinhas onde guardo tudo e mais alguma coisa inútil mas que acho que posso precisar e safa-se o dossier da casa onde guardo todas as despesas, garantias e coisas que tais porque assim o exigi de mim própria. Lavo o chão quase todos os dias por causa dos bichos e porque fico cheia de comichões ao ver marcas de pés e patas mas isso tem razões de ser porque cá em casa só andamos de chinelos se nos apetecer caso contrário os sapatos da rua também servem. Não existem carpetes ou tapetes pois acumulam imensa porcaria e quanto mais simples o chão for mais fácil é de tratar daí que a tijoleira ou uma imitação dela servem perfeitamente. O balde e a esfregona estão sempre a postos...

Não sou a dona de casa perfeita mas quem quiser sempre pode usar a minha sanita sem medo algum...

Daí que preocupar-me com uma camisola que ficou desbotada ou uma toalha que está com vergões por falta de engomadelas não me tire o sono pois existem coisas bem melhores na minha vida que isso.

É mesmo aventa pr'aí que eu depois vejo o que fazer com isso...





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23
Jan11
Há pouco estivemos a ver o filme Marley & Eu. Eu já o tinha visto, o meu Jacinto é que não e o livro já o reli triliões de vezes desde que o tenho há uns 3/4 anos...

Pena que o filme não tenha recriado partes do livro bastante interessantes o que me leva muitas vezes a ler os livros e a não ver os filmes ou vice-versa pois fico sempre com a sensação que falta alguma coisa ao filme ou o livo tem coisas a mais.

Mas posto isto e como sabem temos em casa não um Marley mas um Pablo, uma Pipa, uma Piggy e uma Zappa - esta última com o nome que começa com a última letra do alfabeto por ser o animal com a personalidade mais vincada.

Quando me juntei com o Jacinto já trazia a reboque as duas gatas e ele não muito acostumado a gatos em casa lá se rendeu aos encantos das Marias Pimpolhas como pode e hoje só não faz o que não pode por elas. Sendo que os gatos são animais muito independentes, creio que não temos gatas mas sim mais dois cães em ponto pequenino de tão meigas que são, por se darem ao seu nome e por as chamarmos estejam onde estiverem e elas virem ao nosso encontro. De quando chegamos a casa, virem logo a correr a miar quando não estão a dormir ferradas, e darem-nos tantos mimos como o cão mais doce do mundo. Daí que quando me falam em gatos que se assanham, que são ruins, interesseiros, não sei do que falam e até fico revoltada pois sei bem que a educação deles dispendeu muito do nosso tempo, principalmente do meu pois o Jacinto ainda não vivia connosco.

Basicamente um gato sempre será um gato, sempre levará o dono a fazer o que bem entende ser melhor para o seu conforto mas de uma forma subtil que nos levará a pensar que fizemos aquilo porque queremos... Claramente somos enganados, mas vivemos muito bem nessa ignorância. Eles ali estão e nós aqui, se eles quiserem colo não pedem, simplesmente saltam para cima, se não quisermos e os pusermos no chão, eles voltam a saltar e fazê-lo-ão 20, 30, 100 vezes as que forem necessárias. Até um dos dois desistir. Normalmente é o dono...

Um gato não pede comida, exige-a mas de forma como que se estivesse a querer que tenhamos pena. Roçam-se nas nossas pernas, miam desalmadamente, roçam-se outra vez, miam novamente como se estivessem a ser esventrados e miam até quando já estão a comer. O dono obedece. Tem pena? Tem, mas mais uma vez foi enganado. O gato nem sequer comeu, lambeu apenas a comida, virou-lhe o rabo e vai aninhar-se novamente no sofá. E o dono apanha a taça da comida e arruma tudo. Não passa de um pseudo-dono... É sim um escravo de vontades.

Um gato não deve entrar no quarto dos donos mas fá-lo... Umas vezes matreiramente, não estando ninguém a ver, escondendo-se de seguida no emaranhado de lençóis até que duas horas depois alguém dá por falta dele e ele já dormiu o seu sono de beleza e vem a esticar-se como se nada fosse. Outra vezes entra com alguém a ver mas finge que nada o pode deter pois "ninguém ali está". O dono é um nada neste mundo infinito que é o quarto principal. Uma bolinha de cotão. Mísera bolinha... Outras entra furtivamente porque assim o quer. Nada importa. Há dono mas "vou entrar". Há hipóteses de ser escorraçado mas "que se lixe"! O mundo dos lençóis vale bem a palmada que vou levar!

Ser gato é mostrar que se sabe governar quando os outros pensam que governam. É ser-se Rei quando já há um. Ser gato é como certa vez escrevi, passando a citar:

"Ser gato, no meu ponto de vista, é arranjar mil e um pretextos para se fazer o que se quer quando o objectivo final é algo proibido, levar a imaginação ao limite, ultrapassar obstáculos e melhorar as suas tácticas, tudo isto para, enquanto os donos limpam o caixote de areia, se fazer um mísero xixi no puff da sala..."

Portanto ter um gato é uma coisa muito fácil basta deixá-lo ser aquilo que é: um gato.

Não deixando de ser tudo isto que acabei de mencionar, as minhas gatas fazem-no de forma graciosa sem deixarem de ser meigas e equilibradas. Nunca nos arranharam, nunca bufaram, nunca se revoltaram. E isso deixa-me orgulhosa por as servir. Sim, sirvo-as... Todos os dias...

Quando nos juntámos, 6 meses depois, resolvemos ter um cão. Eu queria um filho mas após quase dois anos ele ainda acha cedo, quanto mais numa relação com apenas 6 meses de existência... Mas eu sou assim. Quando há certezas, vamos em frente. Se bem que da última vez que tivemos certezas, atolámos o carro mas isso é um à parte...

Daí que aproveitando a ausência do Jacinto numa ida de trabalho para o Porto, falei com o criador e guardaram-me um cão. Era para ser surpresa mas não me contive e lá preparámos a vinda do Pablo para casa.

O Pablo, entre todos os irmãos que restavam, foi o único que não quis nada connosco e quase que levávamos o irmão por engano, pois o sacana do Pablo tinha ido para a cama sozinho numa de "Epah estes dois são uma seca, vou ver se me deito e nem dão pela minha falta e levam o outro parvo que lhes morde os atacadores...". Mas não... A tempo descobrimos que aquele não era o nosso cão e lá trouxemos aquele que nos tilha calhado na rifa. 24horas depois o Pablo já não se lembrava que tivera irmãos ou pais, tão bem se adaptou a nós. Dormiu connosco a primeira noite e na segunda já dormia na caminha dele com as gatas a fazerem companhia. Sempre tentámos socializá-lo ao máximo com outras pessoas e animais. Neste momento, 1 ano e 2 meses depois, temos um cão de 30kg, cuja cabeçorra, quando está na sua posição de capa de revista, me dá pela coxa e uma caixa toráxica que faz inveja a um lutador de wrestling de tão possante que é. Tenho orgulho no cabeçudo que criámos pois todo ele é músculo e força. Tem apenas um senão... É bruto que se farta. O que tem de meigo têm de força. E gosta de mostrar que nos ama com força, com cabeçadas, com empurrões não fosse ele boxer. Todas as suas emoções são demonstradas à base de patadas e encontrões. Mas engane-se quem pensa que são maus, que são feios, que se babam imenso. Pois não conheço raça mais dotada de sentimentos pelo dono e família, mais corajosa por maior que seja o cão que lhe apareça e o ameace ou aos seus. Têm aquele focinho metido para dentro mas isso é porque e como conta a lenda, Deus criou o boxer para ser o cão mais belo de todos e o boxer, ainda um molde da raça, como vaidoso que é bateu com o focinho e assim ficou. Daí que se tem uma raça com um corpo fantástico, musculado e poderoso, com uma mandíbula retraída, sendo um cão prognata. Quanto à baba, é mito. Babam-se como qualquer cão... Pingam água quando a bebem como qualquer caniche ou pequenois.

Daí que tenho orgulho neste parvo que temos. Vê-lo dormir e dar-lhe beijinhos pois sei que não me vai empurrar, ouvi-lo ressonar, abrir-lhe a boca e ver-lhe os dentes, abrir-lhe os olhos descaídos das pregas que tem e vê-los rolar. Enfim... É o cão que queríamos e ainda bem que o temos.

Depois vem a Pipa, uma arraçada de yorkshire terrier que de york só tem o pêlo porque pesa 7kg e não faz juz à raça no que toca a refilice com os donos e outros desconhecidos. Temos sim uma cadela meiga connosco, amigos, crianças e brincalhona por natureza. Só refila pelo lugar no sofá e se o Pablo se deita em cima dela. Com as gatas joga às escondidas atrás das roupa entendida no estendal e correm umas atrás das outras.

Está connosco há pouco mais de um mês, desde que perdemos um outro cão que achámos na rua em Novembro e morreu 3 semanas depois após 3 dias internado, e temos de ter muita paciência para a educar pois vê-se que foi maltratada onde estava, daí que ainda faz xixis em casa e encoraja o Pablo a fazer o mesmo, pelo que agora além de educá-la temos de reeducar o Pablo da mesma forma. É uma cadela que quando faz asneira, encolhe-se com medo que lhe batamos e por isso a nossa educação tem-se baseado na recompensa pelas coisas boas quando as faz e no ignorar por enquanto o que ela faz mal. Contudo é uma menina que está feliz, pede mimos e vem ter connosco para lhe vestirmos a camisolinha dela quando vai à rua, brinca muito apesar de já ter uns 3/4 anos e querer só festas quando nos vê chegar a casa.

Penso com tudo isto que ser cão é, e passo a citar novamente o que escrevi há tempos: "com muita humildade, mostrar-se como um ser superior ao Homem, tendo-lhe no entanto um amor nobre, envolvido em fascínio e fidelidade pura".

Mas desengane-se que tomar conta de 4 animais em casa seja fácil. Não o é... No entanto é recompensante vê-los todos juntos. Sai caro ao fim do mês, principalmente se estiverem doentes, mas fazemos tudo o que podemos por eles e com eles. Sair à rua para esticarem as pernas quando o que nos mais apetece é estar em casa ao quente ou ao fresco, limpar constantemente o chão e a caixa da areia, dar de comer diferente pois nem todos comem o mesmo, banhos, escovadelas quando necessárias, limpar o quintal que ao fim do dia os presentes davam para abastecer  Horto do Campo Grande em estrume, os garrafões de ácido úrico que são limpos com água e vinagre para não ficar cheiros. Manter a roupa estendida fora do alcance deles pois no verão as camisas, lençóis e cuecas foram um festival. Lavar mantas e mantinhas. Tirar tupperwares e recipientes que sirvam para brincar e partir. Ainda esta semana o Pablo apanhou um dos grandes e andou com ele enfiado na cabeça, como nada via, foi contra a parede da cozinha... Desviar as coisas de cima da bancada da mesa o mais para trás possível pois ele chega-lhes. Desde roubar manteiga e dar às "irmãs", bolachas, queijo, fiambre... Cá em casa tudo se come em jeito de goluseima, desde tostas a batatas fritas, apenas há uma coisa que não tocam: chocolate. Nem nunca lhe sentiram o sabor...

Mas o trabalho recompensa em tudo, pois adoro quando eles passam por mim e me dão uma lambidela nas mãos ou se esticam nas minhas pernas a pedir que me baixe e os acarinhe. Ver os olhos brilharem quando chegamos a casa, ver o amor que os une aos 4 e a tolerância que têm entre eles, saber que estão lá. Saber ainda que quando tivermos filhos que estes serão acolhidos da mesma forma que todos os que entram cá em casa sejam de duas, sejam de quatro patas. No entanto saber também que se alguém indesejado entrasse na nossa casa e tivesse intenções menos boas, que seria recebido de peito feito e pêlo eriçado, pois e apesar de ser um cão meigo, paciente e trapalhão, temos a certeza que faria o seu papel na perfeição, protegendo o que é dele e aquilo que ele conhece como sendo o seu mundo e esse seu mundo é para ser descoberto de peito feito e sem vacilar. E sei bem da força que ali está contida que tanto dá para brincar como para fazer frente a qualquer mal que possa atingir o seu lar.

Poderia alongar-me a noite toda falando sobre os meus animais e as suas tropelias mas terei imenso tempo para o fazer e dar a conhecer. Apenas queria mostrar que um cão pode ser estenuante mas dois cães e dois gatos têm a capacidade de nos tornar mais pacientes com tudo o resto que meia dúzia de hippies a fumar erva. Pelo que se compararmos os pequenos stresses do trabalho com um cão com um tupperware trancado nos dentes a dar cabeçadas nas paredes, uma cadela a fazer xixi debaixo da mesa da cozinha e duas gatas a miarem desalmadamente a pedir comida e colo, acho que poderemos aventar tudo para o ar e dizer "que se lixe!"







Adoro-os e isso sim, vale cada sacrificio...

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16
Jan11

Ares que se me dão...

por Pobre(o)Tanas
Ontem foi dia de ir aos arames. E fiz birra. Pintalguei-me e arranjei-me toda para ir dar uma volta e quando dei por mim já era quase fim de dia porque tivemos agarrádos à parva da televisão. Entrei em parafuso e impus-me. Muito mal e estupidamente como só eu sei fazer, mas impus-me. Estava farta de estar em casa. Arrumei e tratei de tudo e não saia? Ah pois não... Não me tinha pintado só para ir ao Lidl... E discuti. Tão feia que sou... Mas acho que o meu Jacinto já me perdoou um bocadinho. Com uma paciência daquelas que só ele sabe ter. 

Sei que por vezes sou muito cruel a dizer as coisas. Sou cruel ao ponto de ele dizer que já estava a acontecer o que ele temia. O facto de eu estar a começar a entrar em paranóia por vivermos tão longe de tudo no meio do nada. Mas nada disso. Não há quem goste mais disto que eu apenas ontem queria ir sair. Parecia ter o diabo no corpo e quando estou assim preciso que me façam as vontadinhas todas. Tipo menina mimada e caprixosa. O que vale é que ele não me liga nenhuma. No entanto e como lhe disse ontem não posso passar do 80 para o 8 assim. Há mais de 3 ou 4 semanas que não saíamos daqui. Era casa-trabalho-casa. Ir às compras para a casa. Limpar a casa. Ir ali ao café e nada mais. Sim, sei que há 1 semana e meia escrevi aqui que não me importava. Mas ontem importei-me e precisava de sair. Após esta semana de trabalho que passou que me fez sentir mais reles que um esfregão de sanita, precisava de sair daqui e ver estrada.

O pior é que vi pouca. Um nevoeiro enorme e eu estava a ver que aquilo era castigo por me ter portado de forma tão pueril. E o nosso bolinhas? Com um chiar na roda traseira direita que a mais de 120km/hora o fazia tremer? E constatei que se o carro empenasse era mesmo castigo de Deus e aí sim a paciência do meu Jacinto sumiria e que eu ainda ficava a pé, sozinha com o meu burro atado. Mas não. Tirando o facto de o nosso bolinhas precisar de uns "sapatos" novos, portou-se lindamente.

Fomos ao McDonald's que já há meses que não ia - não é que tenha saudades o que é algo impressionante para mim que era viciada - mas eu ontem queria. Comi um belo geladoooo! E visitámos uma loja tipo amazém chinês da qual, claro, acabei por sair com umas calças de ganga, uma camisola e um par de botas rasas e de cano alto por apenas € 43,00. Vi coisas bem giras e baratas! Só as botas que vi na Seaside parecidas seriam o mesmo preço de tudo o que comprei. Daí que estou contentinha. Apesar de ir naquela de não comprar nada pois só queria mesmo passear.

Engraçado como dizem que as coisas do chineses não prestam mas são as que me duram mais tempo. Tenho botas dos chineses de € 10,00 que já me fizeram 3 invernos e ainda estão ali para mais 2 ou 3. As camisolas da Bershka, H&M e Stradivarius que ali tenho ao fim de 2 lavagens estão largas e perderam a cor, as dos chineses que devem ser feitas de alcatrão ou uma porcaria assim qualquer têm ali uma cor impecável e nem preciso de as passar a ferro. Opah maravilha. Pelo preço e fáceis de cuidar que assim seja para todo o sempre.

Como ontem não queria ir ao Lidl tivemos de ir hoje para fazer as compras da semana. Além das compras saímos de lá com algo que já há uns tempos tinham tido e que tinha esgotado mas desta vez apanhámo-lo a tempo:

O nosso Cubo Wellness

(Imagem da WEB)

Comprámos em preto e já ali está ao lado do sofá.

Nós temos um sofá herdado. Já estava na minha primeira casa e bem me calhou porque não tinha nenhum. É de pele e na altura dele deve ter sido um balúrdio no entanto coitadinho está a precisar de reforma de tão gasto, rasgado e furado que está. Mas com os animais que temos em casa não nos vemos a comprar outro tão depressa. Quer dizer... Ver até nos vemos mas acabamos sempre por vir embora sem fazer negócio pensando que só necessitaremos de um quando este já nem sequer tiver almofadas. Até lá vamos forrando o nosso velho e ranhoso sofá com mantas que lhe dão uma corzinha que dão para lavar.

Mas como ia dizer é apenas de 3 lugares e quando temos mais que uma visita temos de as sentar nas cadeiras da sala. Agora com o cubo que faz de poltrona, banco e mesa de apoio temos um lugar a mais. O meu Jacinto está radiante de tão bem instalado que está e eu já me vejo no verão a bater grandes sestas ali. Claro que o cubo vai dormir no nosso quarto pois com as unhas e dentes desta malta de 4 patas bem que podiam vir cubos. Não é que estraguem muito e nem temos tido razões de queixa. Volta e meia são os sacos de plástico que estavam guardados e são rasgados, algum chinelo, umas meias ou uns lençois a secar na rua. É mais a questão que nós aqui somos como os Simpson's a correr para o sofá. Tudo o que sirva para sentar El-Real Cagueiro, suas Excelências também querem para dormir. Eles lá sabem o que é bom. E se nós sentarmo-nos no chão, está quieto eles aprendem connosco e não o querem também...

Foi uma panisguice para a nossa casa e para nós bem barata e que bem me irá fazer às costas!

De tarde fomos à barragem com os canitos para eles andarem lá a brincar e agora sim posso ir tomar o meu banho descansada e dedicar-me à tiragem de penugem facial com calma para mais tarde ir fazer uma quiche de frango com legumes e queijo fresco para o almoço de amanhã.

Acho que sim, este fim de semana consegui aventar a semana que passei para trás das costas.

Agradeço imenso ao meu Jacinto que é um homem que me atura e por ser paciente como é porque eu ontem estava mesmo assim

(Imagem da WEB)

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Nunca compramos revistas cor de rosa cá para casa, ao invés quando queremos leitura de sofá e já lemos tudo o que há para ler que nos seja oferecido no correio, compramos algo que dê para os dois... Uma Super Interessante, uma Maxmen, uma qualquer revista de decoração assim moderna para nos babarmos com os closets que vemos, etc. Nunca revistas cor de rosa. Deixamos isso para a esplanada do Lobu's enquanto um lê o Correio da Manhã, trocando de seguida, e bebemos o nosso café acompanhado de um cigarro.

Aí sim... Lemos as cusquices e averiguamos o que andam as celebridades a fazer, gozando com isto ou aquilo, ficando atónitos com algumas figurinhas e pensar no que faríamos da nossa vidinha se ganhássemos apenas 1/10 daquilo que o menino "bonito" do futebol ganha em publicidade, colocando posteriormente uma moedinha de € 0,50 na máquina do café que gira, tipo máquina de casino e que por vezes nos sorteia com € 5,00 para pagarmos a despesa.

Eu e o meu Jacinto temos maneiras de ver a vida muito idênticas. Sonhamos com o euromilhões mas gostamos da pacatez da nossa vida social e da nossa insanidade em casa, correndo atrás um do outro, cantando as letras de músicas à nossa maneira e alterando-as, pensar que amanhã sim deixaremos de fumar e poderemos finalmente juntar dinheiro com fartura para um carro novo ou umas férias com pulseirinha numa ilha em que poderemos andar nús na praia ao fim de tarde. Pensar que um dia deixaremos de andar cansados e que poderemos voltar às raves de altura da faculdade com a mesma energia e que teremos vontade de ir para um ginásio malhar até não termos mais espaço para músculos e abdominais, ficando com um corpo magnífico que não nos servirá de nada uma vez que não nos gostamos de expor a não ser na nossa privacidade.

Todas estas formas de estar e ser não condizem com nada daquilo que vemos nas revistas e olhando para a vida de famosos expostas pergunto-me de que vale ser-se figurinha pública e reconhecida até com uma peruca e uma máscara de plásticas em cima, se não se pode dar um peidinho que ninguém não saiba e não saía na CARAS da próxima semana. Pergunto-me de que vale o menino "bonito" do futebol ter conta no BES se por ventura talvez eu seja mais eu com uma no Millennium BCP? Até porque sou cliente desde 1992 ainda era NovaRede e uma vez que nasci nos idos de '87 sinto-me deveras poderosa quando digo isto...

Questiono-me se valerá cada cêntimo... Se valerá cada ideal que construí na minha cabecinha idêntica a uma caixa de Pandora. Se valerá o risco de cairmos no rídiculo...

Vendo a força que a tia fez para deixar entrar a sua cadela boxer na Igreja aquando o baptizado do neto, reconsidero que tenho sido péssima dona do meu Pablo, também ele boxer, por nunca o ter deixado sequer entrar ali no mini mercado para ir buscar uma lata de salsichas. Nunca fiz força para ele ir onde não seria desejado até porque tenho ainda 3 dedos e meio de testa e gosto de respeitar lugares sagrados.

Não conseguiria nunca posar para a fotografia envergando uns sapatos de salto com 20cm's ficando mais alta que o meu Jacinto só para ficar bem. Da mesma altura vá que não vá mas eu sou muito pouco feminista. No máximo igualdade e não superioridade. Até porque respeito muito o género que inventou a roda e as botas Caterpillar que me ajudam diariamente a recuperar da operação aos joelhos que fiz há 7 anos. Desde que não se armem em homens das cavernas, eu respeito. Caso contrário as botas Caterpillar ganham outro objectivo que não o seja para andar.

Desfolho mais umas quantas páginas e vejo os miúdos calçados e vestidos como se fossem adultos. Sapatos de vela que mais parecem pantufas de velhotes usarem em casa, fazendo o pé de uma criança de 8 anos parecerem um iate de 80 pés de comprimento. Coletes de malha, camisinha engomadinha, calcinha de vinco e soquetezinho azul escuro puxadinho a combinar com o cabelinho escovadinho com risquinho ao lado. Pergunto-me se estes miúdos podem tirar os brinquedos das caixas de origem e brincarem ou se os têm emprateleirados numa estante dos seus quartos.

Quanto mais olho para estas crianças mais o meu desejo de ser mãe aumenta para poder vestir os meus filhos como espantalhos para brincarem na rua com os amigos e rasgarem os ténis a jogar à bola num campo de terra cheio de buracos. Aproveitando os restos de t shirts ou cuecas para fazer panos para lavar o carro.

Sim, é verdade tenho uma fixação por cuecas. Isto porque nunca tive nenhumas que me tirassem estas borbulhas que tenho nas nalgas devido ao uso excessivo de nylon.

Reparo que se uma celebridade mostra o reguinho das mamalhuças aparece logo como se fosse algo muito fora do comum. Então e eu que já fiquei em cuecas, - e eu a dar-lhe - devido a um infurtúnio de final de tarde de verão, ali na rua das vivendas e nunca ninguém me disse nada nem me tirou uma mísera fotografia? Ah pois... Respeitam-me! Respeitam a senhora do Eng.º Jacinto.

É isto que falta nas revisas cor de rosa. Respeito. Respeito por parte das revistas e por parte de quem dá a cara para aparecer nelas custe o que custar. Respeito ainda por quem lê que fica a pensar que a sua vidinha de comum mortal pouco ou nada tem para mostrar. Mas isto é para os que são influênciáveis e fantasiosos. Eu só queria o euromilhões para o gastar comigo e com os meus. Porque de resto tenho um vidão de luxo. Sou imensamente feliz como sempre batalhei para isso. E tenho ao meu lado quem caminha à mesma velocidade cruzeiro apesar de nunca termos andado em nenhum. Mas isso é outra história porque eu enjoo em tudo o que seja transporte.

Porque se o outro que tem 60 e muitos vive com uma miúda de 19 que mentiu ao ínicio, dizendo que era maior e tudo aquilo foi falatório e falta de respeito pelos dois que vai na volta até são e estão felizes e ninguém tem nada a ver com isso, este com 65 ou 70 sei lá, que foi assassinado esta semana e lhe cortaram as partes, ter andado enrolado com um fulano de 21 que diz-se ser o seu assassino, coitadinho têm pena dele. Não andasse ele a papar miúdos... Lamento. Quer dizer o outro não pode papar a miúda de 19 mas este pode papar o de 21... A diferença é muita querem ver? Eu com 19 anos e com 21 era a mesma. Apenas já trabalhava as 8 horas que me competiam para ter a minha casa e pesava mais 10kg.

Por isso não gasto dinheiro com revistas cor de rosa. Prefiro ler as 69 posições acrobáticas que devemos fazer antes de morrer na Maxmen ou a descoberta de uma qualquer supernova por cientistas cubanos no meio de plantações de cocaína. Prefiro até descobrir, pelo meu Jacinto, que um comprimido afinal é composto de pó de pedra e que é esse composto que nos ajuda a envolver 10miligramas de um prozac caso contrário nunca conseguiríamos tomar 10miligramas de nada, por ser uma partícula.

Com esta conversa toda esqueci-me onde ficam englobados os pistachios...


Ah já sei! O Lidl tinha-os em promoção.


Comprei dois pacotes que já os aventei...





O meu cão sempre me pedinchou muita coisa menos acompanhar-nos a baptizados...





Nesta fotografia ele questionou-nos quanto às saídas à noite com as amigas cadelas. Quando lhe dissemos que ainda não tinha idade, fez esta cara...

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