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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!

Mas atenção, num local tipo Évora, com muitos turistas e mais coisas para ver que aqui as nossas zonas de Borba, Estremoz e Vila Viçosa.

Logo no inicio das nossas férias, rumámos com os cães até Lisboa. Seriam dias calmos se eu não me enervasse de cada vez que lá vou, ou pelo trânsito, ou pelas pessoas horrivelmente stressadas ou mesmo pela família que me deixa em estado pirulas com a sua maneira de ser obtusa.

Os dias de chuva de início de Agosto também em nada ajudaram mas contando eu que o meu pai nos emprestasse o carro para que fossemos passear com a minha avó, tendo até ajudado o Jacinto quanto ao travão de pé que não estava habituado à condução da Mercedes, a alminha de Deus estacionou o carro num acesso dificil que só ele consegue tirar pelo que não pudemos levar a velhota a lado algum. Lamento que as coisas sejam assim mas já me fartei de chatear e neste momento prefiro ignorar. Problema dele.

Mas a questão do carro foi uma gota de água quando tudo o resto naquela cabeça anda desgovernado. Cada vez mais a estúpidazona da minha madrasta lhe faz a cabeça e eu deixo. Adiante.. Sugeriu que ficaria com os cães para que fossemos um fim de semana até ao Algarve, tudo perfeito não fossemos nós donos de um terreno vedado com 5 000m2 (só a nossa parte, fora os outros 20 000 de espaço que toda a quinta tem)... Chegou a hora, recusou-se a ficar com o cão... Porque era grande e não confiava nele. Não haveria problema de ficar com a cadela - até porque já se tinha feito ao piso quanto à possibilidade de lhe dar a cadelinha para a ter lá - mas que com o cão não. Conclusão, para mim onde fica um têm de ficar forçosamente os dois e por isso paguei para os ter num hotel/canil e resolvi a situação sem me chatear mais com isso... Assim como assim com tanto espaço ele iria manter os cães presos a uma corrente o tempo todo e só lamento o facto de ser tão torto que não veja que faz sofrer os outros cães que lá estão.

Consegui visitar toda agente que queria, a D. Orlanda, a minha irmã e até a minha amiga Pris que com a sua maneira de ser alegrou todo um serão na esplanada com as suas aventuras. A dado momento o Vasco da Gama é assaltado e uma rixa começa mesmo atrás da cadeira dela, pois ela nem se mexeu e nós, já desabituados ao ram-ram de toda uma cidade e suas confusões andámos de coração nas mãos todo o tempo. As pessoas mergulharam à tareia umas nas outras e ela impávida e serena a contar as suas histórias como se nada se passasse. A dada altura ainda solta um "Ai que irrequietos..." e continua...

Por vezes pergunto-me se também eu era assim. É que já não me lembro... Mas não me importo porque significa que estou aqui no cu de Judas longe de tudo... O Jacinto diz que quando chega perto da Ponte 25 de Abril põe a cassete citadina.

A segunda semana passámo-la a descansar na nossa casa. Além de termos os cachorros durante 3 dias para os entregar mais tarde a um casal amigo o que nos preencheu muito tempo, a Zappa resolveu dar à luz um casal de pequenotes muito feios!!!! Que são a alegria cá de casa. Aguardo que alguém se ofereça como dono. Já são muitos.

Vimos muitos filmes, fazemos muito exercício, passeámos com os cães e a meio da semana fomos até Évora comprar tintas para pintar a sala no entanto aguardamos a semana anterior à vinda dos móveis e sofás para começar a pintar.

No último fim de semana fomos então até Portimão com a minha irmã. Saímos de casa cedo, deixámos os cachorros no Hotel Canino D' Além Machede perto de Évora cujo preço achei acessível e adorámos a forma como eles foram tratados - pois que na volta nem nos ligaram nenhuma quando nos viram - deixando-me descansada durante 5 dias e 4 noites. Almoçámos por lá e vimos uma exposição de Andy Warhol. Seguimos pela velhinha nacional até Beja, por aí fora parando aqui e ali, chegando a Portimão às 19h e pouco. Diverti-me apesar da pouca praia, precisava de mais uns dias de relaxe... Contudo fui ao Algarve e isso sim interessa. Contento-me com pouco. Fiquei feliz com o nosso bolinhas que com um depósito fez Estremoz/Portimão/Almada/Estremoz...

Na volta fomos outra vez até Lisboa (margem sul) visitar a minha mãe que estava em Espanha nas semanas anteriores. Foi connosco comprar os nossos móveis e sofá à Moviflor. Não gastámos muito e só o sofá era do preço de tudo aquilo que pagámos. Dia 28 de Set. cá cantam as nossas mobílias novas para a sala. Mal posso esperar!





(Imagens da web)



As cores não são estas. Escolhemos preto. E para a parede da sala apostámos num azul acinzentado que acho dar um ar mais convidativo à nossa sala visto ser enorme a meu ver e porque mal abrimos a porta de casa entramos logo na sala mas há ali qualquer coisa que quebra dai ter apostado nestas cores. Logo se vê se entretanto fazemos mais alterações. Nada como experimentar. Depois porque estou farta de coisas castanhas. Quanto aos móveis que restam não sei o que lhes vou fazer pois o que supostamente seria o nosso escritório tornou-se numa sala de arrumos, o local onde pinto e tenho os livros e cd's, onde o Jacinto guarda as suas tralhas da pesca e onde os gatos pequenos agora se escondem quando ouvem um barulho estranho...

Esta semana já voltei ao trabalho e até tem sido calmo visto ainda estar tudo de férias! Deu para tratar de tudo com serenidade.

Deixo fotos das nossas férias :)





















A vida é muito simples. Basta apreciar pequenos momentos. Não sei porque complicamos tanto...


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24
Jun11
Tem sido complicado vir aqui. Falta de tempo, cansaço, muito cansaço, e sinceramente tem dias que prefiro plantar batatas no FarmVille ou construir uma escola no CityVille que vir aqui e despejar a trampa que ouço o dia todo no trabalho ou a vontade que tenho em fazer uns bons quilómetros, atravessando o oceano e dar umas valentes bolachadas em certos Americanos mal-educados que ligam para o escritório, ou abanar meia dúzia de Chineses que tentam vender coisas que em nada nos interessam e quando dizemos "Thanks, but no thanks" eles desligam o telefone na nossa cara voltando a ligar no dia seguinte como se nada tivesse passado.

Depois de semanas e semanas a salivar por este fim de semana prolongado, pois para nós, aqui, seria de 4 dias, eis que o Dr. Where's Wally (ou Waldo), decide alterar algo que há 30 anos era normal na empresa e nada de ponte para ninguém. Estava tudo a pensar que seria igual aos anos anteriores quando ele descobre que ninguém está a pensar trabalhar na sexta e vá de fazer grande filme e ralhar, espernear, contorcer-se e maldizer de tudo e todos. Depois de toda a revolução, cai nele e resolve dizer que quem quiser pode tirar férias. Certo que no fim disto tudo só ele, eu e a Miss Coquette é que fomos bulir. Pois que a restante malta meteu férias. A medo preferi ir do que ele passar-se da cabeça e mandar-me de férias permanentes. A Miss Coquette como não lhe interessava ter fim de semana prolongado, deveria estar com falta de dinheiro para ir a Badajoz às compras, veio toda feliz e contente trabalhar como se a vida dependesse disso e ganhasse uns pontos a mais em relação a quem tirou férias. No fim disto ganhamos o mesmo que aqueles que ficaram em casa a descansar: um B.C.M.... Para quem não sabe, um Balde Cheio de Merda p'la proa.

Aguardo, desta forma, pela primeira quinzena de Agosto para finalmente ficar de papo para o ar.


Já sou "AVÓ"!!!!

Filho da mãe do cão, deu uma pinada de 10minutos e faz meia dúzia de cachorros!

Aquele a que temos direito já está mais que vendido pelo que em Agosto vou entregá-lo aos futuros donos.

Estou babadíssima com os meus netos! 4 meninas e 2 meninos!











Não caibo em mim de cada vez que vejo estes pequenos! O meu peito enche-se de alegria! Só me apetece beijá-los! Lindos, lindos, lindos! Ficava com eles todos dentro de um cestinho... E passava toda uma vida a mirá-los assim quietinha...

Mas depois fico com falta de ar... E tudo isso por causa do esforço físico. Todos os dias, religiosamente, temos ido correr para o campo da bola aqui da aldeia. Fazemos aquecimento e ali vamos nós... 1 voltinha... 2 voltinhas... 3 voltinhas... 4 voltinhas e paramos que por enquanto não dá para mais. 1 voltinha a andar, outra voltinha a passo rápido e no fim uma corrida em velocidade. Posto isto uns abdominais. Se estamos podres de bons? Não, mas havemos de lá chegar... Daqui a uns anos... E se pararmos de comer merdices!

Depois temos tido a visita da minha mãe quase todos os fins de semana. Da ultima vez resolveu trazer o meu tio que já há mais de 4 anos que não me via e foi preciso divorciar-se para se apegar momentaneamente ao seio familiar... Eu diria mais, apego à "mama"... da conta familiar. Mas isso são outros quinhentos que eu sou pessoa que partilha!!!

Já dizia a outra senhora que lê cartas que eu nunca seria rica, seria sempre remediada, que não viveria com dificuldades, agora rica jamais. E eu já interiorizei tudo isso contudo os 3 Pastorinhos também assistiram a um Milagre e nunca pensaram eles que isso fosse acontecer enquanto pastavam ovelhas...

Se estou triste de não ter tido um fim de semana prolongado? Não, nem por isso... Eu até sou uma pessoa calma e aguardo a minha vez...

Já tirei senha e tudo!

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Isto não tem havido tempo...

Ando a braços com esta pequena





Apareceu no meu trabalho... Queria imenso arranjar um dono... Pois não pressinto nada de bom para esta menina. Infelizmente trabalho com homens da "pesada" que ainda acham que um cão é bom para testar a biqueira das botas.

Dei-lhe de comer e água e com isto surgiu uma carga de trabalhos com o meu chefe que só faltou chamar-me santa em frente a clientes. Mas ela não se pode alimentar só a bolachas de água e sal, pois é o que tenho para lhe dar e rápidamente antes que nos vejam. Parecemos aqueles namorados às escondidas. Quando acaba de comer tenho de a afugentar fingindo que lhe vou bater, para que não fique ali e acabem por lhe fazer mal. Qualquer dia o animal pensa que sou maluca... Ora lhe dou de comer, ora corro atrás dela. Isto é desconcertante na cabeça de um cão mas neste momento não posso andar com psicologia e teorias caninas com risco que lhe façam mal...

Dei-lhe o nome de SAM. Se alguém souber de algo... Por favor avisem-me. Não posso ter mais patudos em casa. São 4... E para dar uma vida estável a 4 não posso dar a 5 às metades...

É um doce, e apesar de a acharem feia por causa da cor do pêlo, a sua simpatia e amabilidade a par com a ainda confiança que deposita no ser humano, tornam-na um animal fantástico.

Quem por aqui passar, por favor, divulguem-na. Entrem em contacto comigo. Não preciso que me comentem. Quero que a ajudem.

Gracias!


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Recebemos a notícia nem com agrado nem com desagrado... Recebemo-la e pronto... É inevitável. O mal está feito e a culpa é nossa. O mundo não vai acabar por isso... Não estávamos à espera mas há que tocar a vidinha para a frente apesar de tudo... Deus nos acuda nestes tempos díficeis que se aproximam!


Vamos ser "avós"...


A Zappa está prenhe...



A minha "filha" mais nova...

A "miúda" nem sabe o que lhe está a acontecer. Todos os dias é miar desalmadamente como se não houvesse amanhã. Comer este mundo e o outro e de tudo em quantidades que davam para alimentar 4 gatos adultos com mais de 8kg. Anda à procura de sítios confortáveis. Penso que nem ela própria sabe porque os procura...

Eu avisei o Jacinto... Temos de a mandar esterelizar... Que nada! "Nem pensar! Deixa lá o animal como está..." agora é o que se vê... Durante os cios eram 1000 olhos em cima dela, janelas, portas e tudo que desse acesso à rua, completamente vedado como se vivessemos num bunker. Bastou alguém ensonado ir à rua ralhar com os cães às 4 da manhã... Sua Senhoria escapa-se por entre pés e não mais foi vista até ao outro dia de manhã quando entra em casa assustadíssima mas com um ar altivo e diferente. Tão diferente que mal a "irmã" se chega perto para a cheirar, Sua Alteza espeta-lhe um bolachão como se o mundo fosse dela e a Piggy não mais passasse de uma mera serva dos seus caprixos...

Não faço ideia onde vou arranjar donos para os meus "netos" mas neste momento só quero ver esta "malta" cá fora... Logo se vê como será. Pode ser que quando os começarem a ver alguém se apaixone. Dava jeito que fosse um ou dois não mais. Felizmente que as minhas restantes "filhas" estão esterelizadas...

No entanto aguardo o dia com nervosismo. Adoro vê-la assim. Tão parva quanto antes mas um doce... Sempre ensonada, melosa e chata...


Para não variar... Continua a cheirar mal...







Aventa pr'ai 'tá?



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03
Abr11
Finalmente alguém que conseguiu expôr o que sinto em relação ao tabaco... Ou à falta dele.

Falo do que o Sociólogo Alberto Gonçalves escreveu na sua coluna "Juízo Final" na Sábado n.º 360, passando a citar algumas passagens porque tentei encontrar o texto online para fazer um mísero copy/paste e não encontrei nada... Também só tentei 1 minuto ou 2...

"Pela primeira vez em quase duas décadas de consumo, podero a hipótese de deixar de fumar (...) Custa? Fisicamente, não tanto quanto a propaganda das terapias de desabituação apregoa. Emocionalmente, desculpem o horrendo termo, é devastador. O problema não passa (sem trocadilho) pela carência imediata: passa pela carência imaginada. O problema é antecipar uma existência sem tabaco.
Queira ou não, recordar a existência com tabaco implica associá-lo a cada instante feliz da minha idade adulta. Se folheio um álbum de fotografias, de papel, disgitais ou mentais, constato uma única permanência.Os lugares são diferentes, as pessoas são diferentes, eu próprios pareço diferente de uns retratos para outros. O cigarro, porém, está sempre lá, e assusta supor que um dia possa não estar. Não é saudade precoce, é a impressão de que talvez o cigarro não se limite a testemunhar os momentos áureos: e se, em razoável medida, foi o responsável por eles?
Nunca ouvi uma ex-toxicómano ou um ex-alcóolico relembrarem com doçura o tempo em que torravam o cérebro ou o fígado. Mas, à semelhança dos amputados, metade dos ex-fumadores que conheço evoca enternecida a época em que o cigarro era parte fixa de si. E suspeito que a metade restante é mentirosa.
Toda agente sabe que, além de um pulmão, fumar pode retirar-ns um pedaço de vida. Falta inventariar os pedaços que acrescenta, uma contabilidade indispensável e impossível."

Gonçalves, Alberto (2011), "Pedaços de Mim", Juízo Final, Revista Sábado, 24-30Março 2011, Pp. 114


As palavras deste homem acalentaram e iluminaram o caminho desta minha alma moribunda pela falta do meu companheiro de tantos e tantos momentos. Afagou-me as costas como que um amigo que está na mesma situação que nós e sabe perfeitamente como nos sentimos ou que descreve aquilo que não conseguimos deitar cá para fora. E por haver alguém que tão bem conhece aquilo que sou enquanto fumadora (ou ex...) sinto-me com forças para continuar esta caminhada. E aqui vamos nós nos 48 dias sem tabaco.

Ontem depois de uma jantarada com amigos do Jacinto em que o ritual de muitos deles sem mantém inalterável levantando-se da mesa, tal e qual como fazíamos, fez com que os meus olhinhos procurassem o primeiro vislumbre de um cigarro a ser sorvido. Aquele olhar envergonhado que é desviado porque a pessoa, sabendo que deixámos de fumar, pode olhar para nós e contemplar não um sorriso mas um esgar de tortura ou um ar completamente transfigurado do nosso ser... Eu estava com medo de me atirar à primeira pessoa que olhasse para mim de cigarro na mão e reclamá-lo para mim tal era a fartura de comida que ainda sentia entre os dentes que me fazia querer aniquilá-la com o sabor de papel queimado com um aroma a alcatrão. Levantámo-nos e fomos ao carro buscar as nossas pastilhinhas de morango e maçã. Para compensar todas estas emoções comi tarte de maçã e bolo de bolacha como se não houvesse amanhã e eu fosse a maior apreciadora de sobremesas que existisse no mundo. Eu que nunca comia destas coisas cheias de natas e açúcar aos punhados dou comigo a revirar os olhos de cada vez que uma colherada cheia de bolachas embebidas em leite condensado se aproxima da minha boca. As papilas gustativas dão saltos e deitam foguetes. A comida tem sido a minha salvação. Mas tenho perfeita noção que estes 7kg que engordei nestes 48 dias me vão trazer dissabores.

Hoje já estou bem... Não tenho vontade alguma de fumar. Amanhã já não sei... Se houvesse um gráfico que medisse as minhas vontades veríamos que a contante não existe...

Ontem pela primeira vez senti falta de ter mais amigos. Ou daqueles que tenho mas estão longe... Já tinha saudades mas ontem revelou-se uma torção de estômago. Os do Jacinto são os dele. Contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que posso considerar meus também até porque nestas coisas de amizades sempre gostei de escolher quem quero e não aqueles que vêm por arrasto de quem faz parte de mim. E alguns dele/as dispenso muito bem. Respeito-os e respeito as escolhas do Jacinto. Mas sinceramente tenho alturas que munida de um cigarro nos queixos e uma pá, fazia um bem à comunidade tremendo.

Tenho saudades horrendas deles no entanto esta distância diminuiu os contactos e começo a considerar que amigos mesmo amigos que se lembrem de quem sou de verdade, tirando a família, são zero. Em parte é culpa minha, sei-o perfeitamente. Nunca fui amiga de andar às mensagens, telefonemas... Não gosto que andem em cima de mim e faço o mesmo aos amigos. Durante anos tinha grupinhos engraçados que conseguia manter à base de muita comunicação e saídas mas sei lá eu... As pessoas transformam-se... E não é que me dê trabalho e eu tenha mais que fazer, nada disso, não tenho feitio para me moldar a isso. Não tenho paciência para contar as mesmas histórias 20 vezes e neste mundo a única pessoa que me conhece perfeitamente e as minhas mil e uma aventuras e desventuras é o Jacinto. As pessoas que estão de fora diriam que é mau porque a vida tem mais que uma relação a dois, sei-o e aceito, mas tenho lá eu tempo para me dar a conhecer ou plantar a sementinha da amizade num vaso novo. Deixei de acreditar muito nas pessoas e aqui é tudo tão pequenino que ainda os meus pensamentos estão a caminho da boca já toda uma freguesia inteira os sabe. E tenho muito mas muito que resguardar da minha vidinha e da do Jacinto.

Durante anos estive rodeada de gente mas tão sozinha que questionei a palavra amizade muitas vezes. E outras vezes tão apenas só que me habituei a isso. Daí que esta nossa bolha a dois é tão confortável e segura que meter o nariz de fora e respirar outros ares que outras pessoas respiram, ouvir as suas opiniões e desaforos me causa alergia. Penso que estou tão concentrada na nossa vida a dois, nos nossos planos e criar meios de moldar algo confortável para a nossa existência e da prol que daqui a uns anos nascerá que sinceramente não penso em nada mais. Por vezes prefiro sentar-me ali fora no degrau da porta da cozinha para o quintal e ficar a observar o Pablo e a Pipa a correrem atrás um do outro ou a pedirem-me festas do que ouvir meia duzia de fulanas histéricas a falarem da vida delas ou das outras, do que vão fazer para o jantar ou do preço do arranjo das unhas. Os meus cães têm um poder de reflexão e relaxe muito poderosos e todos os dias dou graças a Deus de os ter porque descanso completamente a cabeça quando os vejo.

Pelo que na sexta-feira ao fim da tarde, depois de uma semana de trabalho, chegámos a casa, mudámos de roupa e fomos até à barragem a pé































E se isto não dá prazer a uma qualquer alma cansada... Não sei o que andamos aqui a fazer...




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O contrato de 6 meses mantêm-se... Foi o que o Dr. Where's Wally? me disse... E se tudo correr bem é para ficar para todo o sempre.

Foi um alívio muito grande, garanto-vos...




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Ontem esteve um dia espectacular... Comparado com hoje é como comparar ervilhas com cocó de cheiro.

Como tínhamos ouvido que ia chover, ontem resolvemos pegar nos cães e ir a pé até à barragem aqui perto de casa. São 10/15min a passo rápido. Mas como vamos devagarinho a apreciar a paisagem demoramos mais. Já há 2 semanas tinhamos ido mas quando lá chegámos ameaçou chuva e viemos a correr para casa. Quando abrimos a porta caiu um porradão de água que se nos tivesse apanhado ficávamos tipo pintos...

Mas ontem deu para aproveitar, sentei-me numa pedrinha bastante tempo ali a vegetar ao sol enquanto o Jacinto e os bichos andavam à descoberta de espargos e menta.

Soube bem e para o próximo Sábado ou Domingo quero repetir se estiver assim um tempo fantástico como o de ontem...






















Sim é verdade... Vivo no Paraíso...

Espero é que esta chuva passe para que não fiquemos para aqui aventados no sofá...

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Eu, por vezes, fico farta de gente com boas intenções... Sério! Chamem-me pobre e mal agradecida, ingrata, antipática, tudo e tudo e tudo. Façam o favor de me chamarem que eu estou-me nas tintas.

Se as pessoas estiverem quietinhas em casa ou a fazer as suas coisinhas e de volta da sua vida o mundo desliza na boa, a vida é mais agradável e se se apurar bem o ouvido até se ouvem os passarinhos lá longe...

Agora agradeço que a intenção das pessoas que gostam de dar de comer aos meus cães aquando a minha ausência pare o mais depressa possível uma vez que os meus cães têm horas certas para comer, estão bem alimentados e não precisam de mais nada do que aquilo que já lhes dou. Se continuarem a dar ossinhos, chichinha e merdinha aos meus cães um destes dias há merda da grossa quando o maior atacar a mais pequena por causa de um mísero osso que alguém na sua boa fé resolveu dar porque coitadinhos "são cães e gostam de ossos"... Não! Não e não!!!

As pessoas se não souberem que fazer aos restos, epah arranjem cães também... Ou dêem aos gatos ou cães vadios. Os meus não precisam.

Depois o trabalho que é tentar descobrir onde pára esta alminha caridosa dos ossinhos. É que nunca se sabe se o osso pode estar contaminado com veneno ou não. Uma pessoa sabe lá! Vê o osso no quintal, começa a tremer e tenta rezar para que seja apenas um osso sem aditivos fatais.

De boas intenções está o Inferno cheio. E se um dia acontecer alguma coisa somos nós que pagamos do nosso bolso a conta do veterinário ou pior, temos de fazer algum funeral...


(Imagem da Web)



Nós agradecemos...

Thanks but no thanks...

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23
Jan11
Há pouco estivemos a ver o filme Marley & Eu. Eu já o tinha visto, o meu Jacinto é que não e o livro já o reli triliões de vezes desde que o tenho há uns 3/4 anos...

Pena que o filme não tenha recriado partes do livro bastante interessantes o que me leva muitas vezes a ler os livros e a não ver os filmes ou vice-versa pois fico sempre com a sensação que falta alguma coisa ao filme ou o livo tem coisas a mais.

Mas posto isto e como sabem temos em casa não um Marley mas um Pablo, uma Pipa, uma Piggy e uma Zappa - esta última com o nome que começa com a última letra do alfabeto por ser o animal com a personalidade mais vincada.

Quando me juntei com o Jacinto já trazia a reboque as duas gatas e ele não muito acostumado a gatos em casa lá se rendeu aos encantos das Marias Pimpolhas como pode e hoje só não faz o que não pode por elas. Sendo que os gatos são animais muito independentes, creio que não temos gatas mas sim mais dois cães em ponto pequenino de tão meigas que são, por se darem ao seu nome e por as chamarmos estejam onde estiverem e elas virem ao nosso encontro. De quando chegamos a casa, virem logo a correr a miar quando não estão a dormir ferradas, e darem-nos tantos mimos como o cão mais doce do mundo. Daí que quando me falam em gatos que se assanham, que são ruins, interesseiros, não sei do que falam e até fico revoltada pois sei bem que a educação deles dispendeu muito do nosso tempo, principalmente do meu pois o Jacinto ainda não vivia connosco.

Basicamente um gato sempre será um gato, sempre levará o dono a fazer o que bem entende ser melhor para o seu conforto mas de uma forma subtil que nos levará a pensar que fizemos aquilo porque queremos... Claramente somos enganados, mas vivemos muito bem nessa ignorância. Eles ali estão e nós aqui, se eles quiserem colo não pedem, simplesmente saltam para cima, se não quisermos e os pusermos no chão, eles voltam a saltar e fazê-lo-ão 20, 30, 100 vezes as que forem necessárias. Até um dos dois desistir. Normalmente é o dono...

Um gato não pede comida, exige-a mas de forma como que se estivesse a querer que tenhamos pena. Roçam-se nas nossas pernas, miam desalmadamente, roçam-se outra vez, miam novamente como se estivessem a ser esventrados e miam até quando já estão a comer. O dono obedece. Tem pena? Tem, mas mais uma vez foi enganado. O gato nem sequer comeu, lambeu apenas a comida, virou-lhe o rabo e vai aninhar-se novamente no sofá. E o dono apanha a taça da comida e arruma tudo. Não passa de um pseudo-dono... É sim um escravo de vontades.

Um gato não deve entrar no quarto dos donos mas fá-lo... Umas vezes matreiramente, não estando ninguém a ver, escondendo-se de seguida no emaranhado de lençóis até que duas horas depois alguém dá por falta dele e ele já dormiu o seu sono de beleza e vem a esticar-se como se nada fosse. Outra vezes entra com alguém a ver mas finge que nada o pode deter pois "ninguém ali está". O dono é um nada neste mundo infinito que é o quarto principal. Uma bolinha de cotão. Mísera bolinha... Outras entra furtivamente porque assim o quer. Nada importa. Há dono mas "vou entrar". Há hipóteses de ser escorraçado mas "que se lixe"! O mundo dos lençóis vale bem a palmada que vou levar!

Ser gato é mostrar que se sabe governar quando os outros pensam que governam. É ser-se Rei quando já há um. Ser gato é como certa vez escrevi, passando a citar:

"Ser gato, no meu ponto de vista, é arranjar mil e um pretextos para se fazer o que se quer quando o objectivo final é algo proibido, levar a imaginação ao limite, ultrapassar obstáculos e melhorar as suas tácticas, tudo isto para, enquanto os donos limpam o caixote de areia, se fazer um mísero xixi no puff da sala..."

Portanto ter um gato é uma coisa muito fácil basta deixá-lo ser aquilo que é: um gato.

Não deixando de ser tudo isto que acabei de mencionar, as minhas gatas fazem-no de forma graciosa sem deixarem de ser meigas e equilibradas. Nunca nos arranharam, nunca bufaram, nunca se revoltaram. E isso deixa-me orgulhosa por as servir. Sim, sirvo-as... Todos os dias...

Quando nos juntámos, 6 meses depois, resolvemos ter um cão. Eu queria um filho mas após quase dois anos ele ainda acha cedo, quanto mais numa relação com apenas 6 meses de existência... Mas eu sou assim. Quando há certezas, vamos em frente. Se bem que da última vez que tivemos certezas, atolámos o carro mas isso é um à parte...

Daí que aproveitando a ausência do Jacinto numa ida de trabalho para o Porto, falei com o criador e guardaram-me um cão. Era para ser surpresa mas não me contive e lá preparámos a vinda do Pablo para casa.

O Pablo, entre todos os irmãos que restavam, foi o único que não quis nada connosco e quase que levávamos o irmão por engano, pois o sacana do Pablo tinha ido para a cama sozinho numa de "Epah estes dois são uma seca, vou ver se me deito e nem dão pela minha falta e levam o outro parvo que lhes morde os atacadores...". Mas não... A tempo descobrimos que aquele não era o nosso cão e lá trouxemos aquele que nos tilha calhado na rifa. 24horas depois o Pablo já não se lembrava que tivera irmãos ou pais, tão bem se adaptou a nós. Dormiu connosco a primeira noite e na segunda já dormia na caminha dele com as gatas a fazerem companhia. Sempre tentámos socializá-lo ao máximo com outras pessoas e animais. Neste momento, 1 ano e 2 meses depois, temos um cão de 30kg, cuja cabeçorra, quando está na sua posição de capa de revista, me dá pela coxa e uma caixa toráxica que faz inveja a um lutador de wrestling de tão possante que é. Tenho orgulho no cabeçudo que criámos pois todo ele é músculo e força. Tem apenas um senão... É bruto que se farta. O que tem de meigo têm de força. E gosta de mostrar que nos ama com força, com cabeçadas, com empurrões não fosse ele boxer. Todas as suas emoções são demonstradas à base de patadas e encontrões. Mas engane-se quem pensa que são maus, que são feios, que se babam imenso. Pois não conheço raça mais dotada de sentimentos pelo dono e família, mais corajosa por maior que seja o cão que lhe apareça e o ameace ou aos seus. Têm aquele focinho metido para dentro mas isso é porque e como conta a lenda, Deus criou o boxer para ser o cão mais belo de todos e o boxer, ainda um molde da raça, como vaidoso que é bateu com o focinho e assim ficou. Daí que se tem uma raça com um corpo fantástico, musculado e poderoso, com uma mandíbula retraída, sendo um cão prognata. Quanto à baba, é mito. Babam-se como qualquer cão... Pingam água quando a bebem como qualquer caniche ou pequenois.

Daí que tenho orgulho neste parvo que temos. Vê-lo dormir e dar-lhe beijinhos pois sei que não me vai empurrar, ouvi-lo ressonar, abrir-lhe a boca e ver-lhe os dentes, abrir-lhe os olhos descaídos das pregas que tem e vê-los rolar. Enfim... É o cão que queríamos e ainda bem que o temos.

Depois vem a Pipa, uma arraçada de yorkshire terrier que de york só tem o pêlo porque pesa 7kg e não faz juz à raça no que toca a refilice com os donos e outros desconhecidos. Temos sim uma cadela meiga connosco, amigos, crianças e brincalhona por natureza. Só refila pelo lugar no sofá e se o Pablo se deita em cima dela. Com as gatas joga às escondidas atrás das roupa entendida no estendal e correm umas atrás das outras.

Está connosco há pouco mais de um mês, desde que perdemos um outro cão que achámos na rua em Novembro e morreu 3 semanas depois após 3 dias internado, e temos de ter muita paciência para a educar pois vê-se que foi maltratada onde estava, daí que ainda faz xixis em casa e encoraja o Pablo a fazer o mesmo, pelo que agora além de educá-la temos de reeducar o Pablo da mesma forma. É uma cadela que quando faz asneira, encolhe-se com medo que lhe batamos e por isso a nossa educação tem-se baseado na recompensa pelas coisas boas quando as faz e no ignorar por enquanto o que ela faz mal. Contudo é uma menina que está feliz, pede mimos e vem ter connosco para lhe vestirmos a camisolinha dela quando vai à rua, brinca muito apesar de já ter uns 3/4 anos e querer só festas quando nos vê chegar a casa.

Penso com tudo isto que ser cão é, e passo a citar novamente o que escrevi há tempos: "com muita humildade, mostrar-se como um ser superior ao Homem, tendo-lhe no entanto um amor nobre, envolvido em fascínio e fidelidade pura".

Mas desengane-se que tomar conta de 4 animais em casa seja fácil. Não o é... No entanto é recompensante vê-los todos juntos. Sai caro ao fim do mês, principalmente se estiverem doentes, mas fazemos tudo o que podemos por eles e com eles. Sair à rua para esticarem as pernas quando o que nos mais apetece é estar em casa ao quente ou ao fresco, limpar constantemente o chão e a caixa da areia, dar de comer diferente pois nem todos comem o mesmo, banhos, escovadelas quando necessárias, limpar o quintal que ao fim do dia os presentes davam para abastecer  Horto do Campo Grande em estrume, os garrafões de ácido úrico que são limpos com água e vinagre para não ficar cheiros. Manter a roupa estendida fora do alcance deles pois no verão as camisas, lençóis e cuecas foram um festival. Lavar mantas e mantinhas. Tirar tupperwares e recipientes que sirvam para brincar e partir. Ainda esta semana o Pablo apanhou um dos grandes e andou com ele enfiado na cabeça, como nada via, foi contra a parede da cozinha... Desviar as coisas de cima da bancada da mesa o mais para trás possível pois ele chega-lhes. Desde roubar manteiga e dar às "irmãs", bolachas, queijo, fiambre... Cá em casa tudo se come em jeito de goluseima, desde tostas a batatas fritas, apenas há uma coisa que não tocam: chocolate. Nem nunca lhe sentiram o sabor...

Mas o trabalho recompensa em tudo, pois adoro quando eles passam por mim e me dão uma lambidela nas mãos ou se esticam nas minhas pernas a pedir que me baixe e os acarinhe. Ver os olhos brilharem quando chegamos a casa, ver o amor que os une aos 4 e a tolerância que têm entre eles, saber que estão lá. Saber ainda que quando tivermos filhos que estes serão acolhidos da mesma forma que todos os que entram cá em casa sejam de duas, sejam de quatro patas. No entanto saber também que se alguém indesejado entrasse na nossa casa e tivesse intenções menos boas, que seria recebido de peito feito e pêlo eriçado, pois e apesar de ser um cão meigo, paciente e trapalhão, temos a certeza que faria o seu papel na perfeição, protegendo o que é dele e aquilo que ele conhece como sendo o seu mundo e esse seu mundo é para ser descoberto de peito feito e sem vacilar. E sei bem da força que ali está contida que tanto dá para brincar como para fazer frente a qualquer mal que possa atingir o seu lar.

Poderia alongar-me a noite toda falando sobre os meus animais e as suas tropelias mas terei imenso tempo para o fazer e dar a conhecer. Apenas queria mostrar que um cão pode ser estenuante mas dois cães e dois gatos têm a capacidade de nos tornar mais pacientes com tudo o resto que meia dúzia de hippies a fumar erva. Pelo que se compararmos os pequenos stresses do trabalho com um cão com um tupperware trancado nos dentes a dar cabeçadas nas paredes, uma cadela a fazer xixi debaixo da mesa da cozinha e duas gatas a miarem desalmadamente a pedir comida e colo, acho que poderemos aventar tudo para o ar e dizer "que se lixe!"







Adoro-os e isso sim, vale cada sacrificio...

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