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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!

27
Nov10

A Ilha Funishitua no Natal

por Pobre(o)Tanas

Cá em casa existe uma pessoa que se pudesse abria um zoo. Cá em casa existe uma pessoa que se pudesse trazia tudo o que tem quatro patas e pêlo. Cá em casa existe uma pessoa que não consegue ficar indiferente a "tresmalhados" que vai encontrando. E cá em casa existe uma outra pessoa que tem uma paciencia enorme para com a outra e a ajuda.

 

Faz amanhã oito dias que encontrei este amigo:

 

 

 

 

E depois de lhe dar de paparoca, o secar da chuva e aconchegar do frio fiz a pergunta que o Luís temia:

 

- Podemos ficar com ele???

 

 

 

Vi o rolar de olhos do meu marido, a expressão de "Não podemos ter mais animais. Tu és doida", o ar de "Oh meu Deus o que se segue?" e finalmente o tão desejado "Eu não me meto nisso, tu é que sabes!" E pronto foi o ponto de partida para adoptarmos o Pepe!

 

Não sem antes colocar fotografias dele no site "Encontra-me", "Arca de Noé" e Facebook onde existem várias páginas para o mesmo fim.

 

Ninguém se acusou para meu regozijo! Vale mais comigo que com um dono desnaturado que nem o trate como deve ser.

 

Pois bem o Pepe é um menino jovem, muito meigo e só há poucos dias revelou a sua faceta de brincalhão. Traz os seus brinquedos para nós os mandarmos e ele ir buscar, corre atrás da Piggy para brincarem e atrás da Zappa para se meter com ela visto a minha filha mais nova ter um feitiozinho parvo e não aproveitar as brincadeiras que os cães lhe podem oferecer - já com o Pablo é a mesma coisa.

 

Com o Pablo a coisa foi muito melhor que imaginada. O nosso filho mais velho que pesa trinta e muitos quilos, macho possante, dono do seu território e que mete respeito pela sua envergadura de torax, tornou-se um ser submisso ao Pepe. Faz-lhe as vontadinhas todas, é um pachá, um babado. ADORA-O! Nem come só de pensar no Pepe. Inclusivé, cede-lhe a casota para o mais pequeno ficar bem instalado enquanto o parvo fica à chuva a observá-lo!

 

Por enquanto o Pepe fica em casa. Assim o Pablo pode dormir sossegado na casota e não há rebuliço de quem fica onde. O que é certo é que o mais pequeno não faz NADA em casa! Sai de manhã, faz os seus enormes xixis e o seu minusculo cocó, volta e deita-se. À hora de almoço o mesmo e novamente à noite! Aguenta forte e feio.

 

O Pablo à noite vem a casa um bocado. E adoro ver os meus bichos em casa. Tudo no sofá a ver televisão. À hora de nos deitarmos é vê-los em filinha indiana em direcção à cozinha e escritório para as sua respectivas camas.

 

Sou uma mulher abençoada.

 

Tenho um marido fantástico que me apoia, me acompanha nestas maluqueiras e no fim acho que acaba por gostar delas.

 

Acho que agora se eu estivesse grávida ele apanhava o próximo avião para a ilha Funishitua nos confins do Pacífico.

 

 

 

A vinda de um cão rafeiro abandonado cá para casa tinha sido uma das hipóteses para a minha prenda de natal coisa falada há uns meses enquanto se questionava quem quereria o que para prenda visto o Luís ter recebido o Pablo o ano passado e este precisar de companhia canina. O Luís disse-me logo que "Não, nem pensar!" pelo que nem pensei em mais prendas. Vendo ele que eu andava a namorar um novo telemóvel, no Sábado passado vem com a revista dos pontos da TMN e diz-me "Vá pede lá o telemóvel que tu gostas." E assim escolhi o pequeno que tem feito as minhas delícias.

 

Eu tinha um LG KP500. Nada de extraordinário e teria andado com ele anos se não fosse o facto de eu mal poder enviar mensagens ou procurar um contacto à pressa por o teclado bloquear constantemente. Daí que muitos numeros acabei por decorar para não andar em busca deles e deixar de enviar sms's a quem fosse por me irritar aquilo bloquear ali em algumas teclas ou outras escrever letras que eu não queria.

 

Daí e para colmatar o facto de ter andado com um telemóvel com apenas 3 teclas (de chamar, recusar e a do menu) agora sim tenho um telemóvel que o que não lhe falta são botões

 

 

 

 

Um pequeno luxo cor de rosa para este Natal (que com os pontos ficou num total de 70 euros).

 

 

 

 

 

 

 

E agora posso dizer... O Pai Natal foi generoso comigo. Pois tive as duas prendas que eu pedinchei.

 

 

 

Chamem-me pita. Chamem-me o que quiserem!

 

Portei-me bem este ano. Tenho a minha vidinha regrada, trabalho, cuido do meu marido, casa e bichos, não ando aí gastar o que não ganho e muitas vezes nem o que ganho, não trato mal ninguém e daí que mereça tudo isto e muito mais que a vida me possa proporcionar!

 

Quem não gostar tem um bom remédio!

 

 

E isto vem no sentido da visita do meu pai amanhã, que esteve quase a cair no fracasso por causa de mais uma birra da minha madrasta. Como se estava a aproximar o fim de semana e com ele a vinda dele aqui à aldeia, sua senhoria resolve fazer merdelim e quase estragar tudo. Eu que mesmo com as birras dela, me calo e ouço apenas os desaforos do meu pai em que diz que eu tenho um feitio lixado e sou assim e assado desta vez não me contive e gritei e gritei como há muito não o fazia para impor a minha razão, para mostrar a minha revolta e defender a minha honra, porque achei tudo isto uma injustiça. Há mais de 3 anos que não discutia a sério com ninguém, que não gritava e nem dizia um palavrão que não fosse dentro das minhas paredes de casa em tom de brincadeira. Vendo bem nem sei como aguentava este ambiente há uns anos atrás em que acabava o dia afónica de tanto argumentar, discutir e mostrar por A + B que os erros cometidos pelos outros não são os meus e pior cego é aquele que não quer ver.

 

Daí que o bico do prego foi virado e ela vem de arrastão com ele.

 

A minha porta está aberta e nem abro boca sobre o assunto, tudo se passará sem nada se ter passado mas se ela respingar e se tudo piorar ponho-a no olho da rua pel braço. Nunca lhe fiz mal nenhum, sempre a defendi mesmo sendo ela a arranjar a merda. Estragar a minha relação com o meu pai não estraga e separar-me dele não separa porque não deixo. Nem tão pouco a deixarei atormentar-me como esta semana em que andei a calmantes e sem pregar olho sem fazer mal algum a alguém.

 

Acho que ela ainda não percebeu que eu nada tenho contra ela, que se quisesse minar a relação deles já o teria feito há muito e ela nem sequer tinha ocupado a cama da minha mãe.

 

 

 

 

 

Depois de tudo o que passei e por vezes ainda passo com estes "fantasmas" que me moem o juízo acho que nem era um Pepe ou um telemóvel mas ambos dentro de um avião, o meu marido, gatas e Pablo e descolar para a ilha Funishitua.

 

 

Bom talvêz o telemóvel ficasse para trás para que eu ficasse incontactável...

 

 

 

 

 

 

Vou limpar a minha casa para as visitas não dizerem que tenho tudo desarrumado e que a culpa é dos bichos.

 

 

 

 

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11
Out10

Pimentei... Mas já acabou!

por Pobre(o)Tanas

 

 

Os dias têm passado a correr e sinceramente o meu blog tem ficado para último. Por vezes penso acabar com ele - mas já me afeiçoei demasiado - ou dar-lhe um novo ar, mais clean... Logo se vê!

 

Trabalhei durante 3 semanas. Andei tão feliz mas tão feliz! Infelizmente era temporário e já acabou. Contudo deram-me o papel para o desemprego e amanhã vou tratar disso o mais depressa possível. Apesar de odiar estar em casa a receber subsídios (se conseguir será a primeira vez) e não ter um trabalho para me alegrar.

 

Nunca na vida pensei que iria adorar trabalhar numa fábrica a tirar os pés a pimentões. Fardada com um avental, luvas de borracha e uma touca. Eu habituadinha a roupinha de escritório e vestida de avental mas sinceramente foi o melhor trabalho que tive desde sempre. Fui respeitada pelo que fiz, fui paga pelas horas feitas a mais e sei que o que trabalhei foi visto pelos encarregados. Andei mesmo feliz. Confortávelmente vestida e simplesmente eu, sem tirar nem pôr! Acho que faria aquilo para o resto da vida. Mesmo fazendo 10horas diárias, mesmo que tivesse que trabalhar aos fins de semana como fiz...

 

Engraçado... Quando estava a amar um trabalho (não emprego) foi quando tudo terminou.

 

Cá em casa tudo na mesma. O Luís atafulhado de trabalho, as gatas aos saltos e o cão decidiu começar a "vestir" a roupa que estendo na rua. Se bem que há peças que ele acha que não lhe servem e vá de as "arranjar" com buracos. Ontem levou um sovazita. Uma coisa é ele vestir as minhas cuecas outra é tentar "alargar" as camisas que o Luís leva para o trabalho...

 

Não temos tido ido a Lisboa. Ele é mais pela falta de tempo eu é mais falta de vontade...

 

Cada vez mais tenho a certeza que escolhi o sítio certo para viver e deixar de ter arrelias. Longeeeeeeeeeeeeee!!! Completamente à margem do que foi nocivo.

 

 

 

 

 

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31
Ago10

ÓlhásVacas!!!

por Pobre(o)Tanas

 

 

Ir à pesca - mesmo pesca - aqui é tão normal como "andar à pesca" em Lisboa para procurar um sítio paa estacionar, para aguentarmos o totó do patrão e no fim do dia chegar a casa às 9 da noite e só querer duas bolachinhas e um copito de leite para não dar trabalho para lavar a loiça. Pelo que e para não ficarmos com saudades da Capital (que são zero!) num destes dias agarrámos na cana, na mochila, mais uma vez no cão e na "burra" e vá de ir à barragem.

 

 

À chegada uma manada de vacas castanhas à solta touxeram ao de cima aquele formigueiro nas costas que sinto quando vejo um aranhiço mas o Luís vê sempre o lado bom das coisas e para ele ver vacas a menos de meio metro de distância também é tão normal como 2+2 serem muitos. Muitos aranhiços!!!

 

Estacionar debaixo de uns pinheiros. As vacas tinham ficado para trás. E pude apreciar a paisagem e calma do sitio enquanto o meu marido lançava o anzol e o cão avariava a caixa dos pirolitos à caça de paus para comer dentro de água - sim o nosso cão nunca passaria fome visto comer paus como come ração da cara.

 

De repente...

 

 

Vejo uma vaca. Olho para todos os lados. Luís a ponderar no isco. Cão aos saltos atrás de moscas. Olhos outra vez. Duas vacas. Luís lança o isco novamente. O cão resolveu comer bosta de vaca que alguma ali tinha deixado - mais uma vez digo que não morreria de fome. Três vacas. Começo a tremelicar. Chamo o Luís que não me ouve ou porque a voz falhou. Chamo o cão que corre na minha direcção e por sorte de tão detrambelhado que é nem vê as vacas que passaram de três para seis. Prendo o cão. O Luís ouve as vacas e ri-se. Olha para mim e solta uma gargalhada com o meu ar. "Vai lá tirar-lhes uma fotografia!". Entrego-lhe o cão. "Vai mais perto!" diz-me ele. "Por alguma coisa o telemóvel faz ZOOM!". Entrega-me o cão novamente e eu sento-me com ele num tronco de árvore a contemplar a manada das vacas que chegou às 50.

 

Qual savana em época de migração de gnus que bebem água dos rios.

 

O cão finalmente dá conta das vacas e sorrio quando sinto o Pablo encostar-se a mim e que até um boxer feio como ele pode tremelicar de medo como eu.

 

 

No fim não deixámos de apanhar "trânsito" na volta para casa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que todos os engarrafamentos de Lisboa fossem assim...

 

 

 

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Musiquinha boaaaaa

 

 

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19
Ago10

Finalmente...

por Pobre(o)Tanas

Tenho "ternete" em casa!!!!!

 

 

Pois bem, depois de 3 meses a viver na casa que pertenceu aos pais do Luís, já arranjámos a nossa própria casinha com tudo a que temos direito.

 

Já trouxemos tudinho de Lisboa e só mesmo a minha família me prende deixando pelo menos um fim de semana por mês para os visitar.

 

Temos uma casa LINDAAAAAA!!! Com quintal para a minha bicharada andar à larga! Aliás não podia ter pedido melhor. Parece uma casa de férias daquelas em que passamos 1 ou 2 semanas e depois deixam saudades. Mas esta não é de férias é permanente! Temos o nosso enorme quarto e sala com tudo posto a nosso gosto e arrumadinho! Uma cozinha deliciosa e uma Wc perfeita que cheira tão bem! E claro está o nosso escritório com uma janelinha para o quintal onde as minhas "filhas" se deitam no parapeito para apanhar bicharocos.

 

Estou tão em paz. Só falta mesmo um trabalho. Não há nada e a Fabrica da Fruta tem uma lista interminável de pessoal que quer entrar também. O Centro de Emprego chamou-me para eu ir para o Exército visto estarem a fazer chamadas e eu fui ver como aquilo funciona chegando finalmente à conclusão que do Exército eu so quero distância e que a única coisa boa que esta instituição me deu foi um microondas à laia de prémio de consolação num dia parvo em que mais valia ter apanhado uma bebedeira e ter-me deitado na relva de um jardim catando pulgas e à espera que a bezana me passasse rápido.

 

Portanto e como diz o Sr. do Banco aquando o preenchimento da minha ficha de inscrição como cliente: Sou Doméstica.

 

Estou a pensar seriamente mudar o nome do SouMinha para SouDoméstica como uma homenagem a todas as domésticas deste País e Mundo que não descontando para a Segurança Social têm realmente muito trabalhinho todos os dias e o qual nunca está feito...

 

 

 

 

Tantas coisas aconteceram nestes meses.

 

 

Tal como disse num outro Post, aqui no Alentejo é tudo muito perigoso. Pelo menos para mim. Bichos estranhos que sobem paredes e pernas, barulhos estranhos na estrada tipo cascos de cavalo a bater em madeira às 4 da manhã que me fazem encolher nos lençois com medo de algum homem da saca que me rapte e um sem fim de barragens e lagos em que quase me afoguei a tentar salvar um cão que não era preciso ser salvo.

 

Certo dia fomos passear com o Pablo a uma quinta de um amigo do Luís que tem cães para que o nosso pudesse andar com os outros na palhaçada. Essa quinta tem um laguinho onde os cães andavam lá nos seus banhos. A dada altura o outro cão pareceu-me ter ficado preso nos limos e avisei o Luís. Nisto o meu pai liga-me mas eu nem ouvia o que ele me dizia só olhava para o cão. O Luís já estava a tirar as calças para lá ir mas eu não fui de modos, desliguei o telemóvel e saltei para a água tal e qual um Mitch Buchannon nas Marés Vivas tirando o facto de eu nadar como um sapato ou não ser loira nem ter mamas para ser a Pamela Anderson. Completamente vestida e calçada, com óculos escuros e um lenço na cabeça. Claro que o cão quando me viu na água veio ter comigo na descontra e o Pablo veio atrás para atrapalhar mais as coisas do género "Ena dona estás na água 'bora lá dar uns mergulhos!". Comecei a sentir coisas a enrolarem-se nos pés e pernas e fiquei aflita. Foi o Luís que me salvou saltando para a água para me tirar de lá mais os cães. O pior da história não é o facto de quase me ter afogado mas sim que ao ver o Luís entrar na água com a sua descontração, ele me dizer que a água me dava pela cintura. Ou seja, fazendo ouvidos às palavras da minha mãe quando me ensinava a nadar - Nunca tentar ver se temos pé. E eu nunca vi se tinha ou não pé. Só senti os limos e nenúfares enrolarem-se nas pernas.

 

Certo que rasguei as calças todas, perdi a minha aliança e estou a ser gozada até hoje.

 

 

Mas só com o Pablo temos dezenas de aventuras destas...

 

Desde eu estar à beira água a admirar um moínho de vento que alguém sem muito com que se entreter tinha feito com canas e deixado lá. Ponderei dezenas de vezes se valeria a pena trazê-lo comigo para o por no quintal visto estar tão lindo. Ponderei mais ainda e no exacto momento em que o vou pegar, salta o Pablo da água sem eu ter tempo e passa por cima do adorado moínho que ficou todo estraçalhado.

 

Roeu as cortinas, um lençol e as pás de apanhar os cocós das gatas e numa noite quente enquanto o passeávamos na rua entendeu que um Rafeiro Alentejano pode ser considerado um Pincher e quando foi saudado pelo outro cão resolveu tentar dar-lhe uma de respeito, fazendo peito e soltando um ronco que nem um Orc do Senhor dos Aneis - daqueles bem grandes e feios - se lembrava de fazer. Claro que o Rafeiro Alentejano com uns 40 ou 50 kg quis ripostar. Peguei no Pablo ao colo (nos seus 23kg) e não sei como o elevei acima da minha cabeça. Dei tantas voltas sobre mim com o outro a tentar elevar-se e abocanhar o meu que quando dei conta estava em cuecas no meio da rua. Mais uma vez foi o Luís que me salvou levando o Pablo para uma carrinha de caixa aberta que lá estava.

 

 

Cheguei a casa e tomei meio calmante...

 

 

 

 

 

 

 

No entanto e apesar de já ter apanhado mais sustos que alguma vez apanhei em Lisboa com carteiristas, cada vez gosto mais de aqui estar.

 

 

E agora umas fotos da minha rapaziada toda:)

 

 

 

 

 

 

 

 

E agora vou ali e já volto...

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