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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


 

 

Epah quem é que teve a infeliz ideia de mandar este frio todo? Ham? Nha-se! Espeto-lhe um selo!!!

 

 

A sério se aqui no Verão se pudesse dormia sem a minha pele para esta não se colar aos lençois ou ao chão dependendo do sítio onde me apetecer dormir numa noite quente, no inverno mete-se o nariz fora da porta e é o bastante para ficarmos sem ele como o Michael Jackson na sua pior altura de plásticas.

 

De manhã, acordo, sento-me na cama, ligo o aquecedor e ali fico a ganhar coragem para tirar o pijama e vestir roupa de lã. É tanta lã que sou capaz de ser confundida com alguma ovelha aqui dos campos. Quando chegamos ao carro vá de deitar uma garrafa de água nos vidros... E primeiro que o carro aqueça e deite algum ar quentinho para o interior vou batendo castanholas com os dentes.

 

O Luís, habituado a este gélido ar de polo norte, anda com uma tshirt por baixo de uma camisola apenas e um casaco. Eu então pareço o boneco da michelin. Mal chego com os braços à cabeça tão enchoriçada que ando. E não fossem estes meus joelhos que andavam sossegados desde a época do pimento, isto até se suportava melhor. Mas a raça destas engrenagens teimam em emperrar. E assim ficam até começar o degelo...

 

 

 

 

Semana de pepino. Um pepino tão grande mas tão grande que não fosse ele apenas uma impressão diria que mo enterraram até à alma.

 

 

 

Correu tudo mal no trabalho, não dei uma para a caixa e não fossem as colegas a darem uma força e teria desancado os homens à porrada. É que isto nos meus empregos não é do cu é das calças. Sim, já sei que o problema talvez tenha origem em mim mas se me deixarem sossegadinha eu não chateio ninguém. Aliás faço tudo certinho conforme gostam e faço muito mais até mas só se não me chatearem e me pedirem com jeitinho.

 

Eu tenho um grave problema...

 

 

Quando entrei para o 5.º ano de escolaridade já metade dos meus colegas tinham tido aulas de inglês. Depois da escola - na primária - os pais iam buscá-los e levavam-nos para o INESP. Eu era apanhada de boleia pelo meu avô no seu tractor e ia para a quinta brincar com os bichos. Ora quando entrei no ciclo só sabia dizer "shit" e mesmo assim pensava que se escrevia "xet". Mas convém dizer que na minha língua materna sempre fui precoce e aos 5 anos pedi um copo de água à minha mãe para "saciar a minha sede". Com 7 anos tinha um diário que se tem estendido até a este blog. Sempre escrevi muito por sinal. No entanto só quando entrei para o secundário é que deram valor ao que eu dizia e escrevia pelo que verbos, tempos e merdices dessas não mos perguntem porque eu só sei tirar um belo café da minha língua, agora moê-lo e tratá-lo até chegar às capsulas da Nespresso não me perguntem como se faz porque não sei. Daí que desde o 5.º até ao 9.º Português era como a Matemática. Lá escapava à rasca.

 

Tudo isto para dizer que tive inglês mal e porcamente do 5.º ao 9.º. Outra disciplina a que era péssima. No 7.º fiquei com Francês e Inglês e pela primeira vez na vida falava fluentemente uma língua estrangeira: o Francês... E porque? Porque a minha tia de França falava sempre francês ao telefone e eu tinha curiosidade em ouvir as conversas e saber de que se ria tanto. Em menos de um mês já eu mantinha uma conversa fluente, sem erros e com um sotaque brilhante que mais parecia que tinha nascido por lá, bem como a escrita sem erros. O Inglês foi ficando para trás e mal entrei no 10.º foi apenas o Francês que escolhi tirando excelentes notas conseguindo até dar explicações a colegas com dificuldade.

 

Quando entrei no 12.º não havia Francês e fiquei quase 3 anos até pronunciar qualquer palavra. O inglês cinco. Ora entrada para a Faculdade penso que nem "merde" conseguia pronunciar quanto mais "shit"...

 

 

Tudo isto para dizer que tudo o que sabia se esfumaçou, se transformou em nada, se formou numa nuvem negra dentro da minha cabeça e hoje que preciso de pelo menos 3 línguas no sítio onde trabalho, me vejo aflitíssima. Todo o inglês que sei é de filmes, ou chamado inglês de praia em que se diz aos "camones": "Are tou talking to me????", todo o francês que possuo é injectado a conta-gotas com alguns "hum.... un petit peu" pelo meio e qualquer castelhano que fosse adquirido através da visualização de filmes porno num qualquer canal codificado da televisão por cabo, não me servem de nada quando tenho que saber quais as medidas de materiais que querem ou explicar o porquê da ausência do "sales manager" a uma israelitomuçulmana que fala afrocoreano.

 

 

Depois levo um fodão de ouvidos como o de hoje.

 

Epah eu sei que se sentem ultrajados por o meu curriculo estar um bocado desactualizado no campo das "Línguas" mas esquecem-se de duas coisas fundamentais: a primeira é que eu ainda me prendo muito ao facto de aos 12 anos ter feito um teste de Q.I. ao qual obtive um resultado de 114 e a segunda é que com a crise que anda por aí acho que para arranjar trabalho eu até diria que falo alienígena.

 

 

Eu acho que se as pessoas se esforçassem a falar português comigo como eu me esforço a falar a língua delas iam ver bem o que lhes calhava.

 

- Desculpar, eu querer saber material valor. Loading quando?

 

- Perdão, não o estou a compreender.

 

- Hum... Saber... Material... Valor... Loading?

 

- Sinceramente, não creio que nos consigamos compreender. As minhas sinceras desculpas.

 

- Per favore... Please!

 

- Não, senhor, aqui não se fala inglês.

 

- Pardon?

 

*PINK*

 

 

Depois tenho aquele outro problema da perfeição. Querer falar de forma correcta quando não há tempo nem pachorra dos clientes para isso e para aguardar o "loading" do meu cérebro ou o "download" que faz em busca de um dicionário inglês-português nos confins da minha mente.

 

Daí que o "hold on, please" lhe faça confusão.

 

Palavras soltas é-me facílimo, escrevê-las idem, sem erros, agora juntá-las de forma correcta e com os tempos verbais correctos é o giro da questão. Porque infelizmente sou incapaz de dizer a um cliente algo como "sorry, wait a minute because the sales manager is on the phone at the moment" cuidando eu que isto esteja dito de forma incorrecta. O cliente se calhar 'tá-se nas tintas se está correcto ou não porque se fosse falar em português comigo ele diria algo como "aguardar que vendas gerente está de telefone". O que quer é ser atendido mas eu fico envergonhada e infelizmente esta merda de mania da perfeição e de portuguezinha coitadinha que não pode fazer má figura à frente de estrangeiro persegue-me...

 

Ainda bem que tenho um blog e uma série de diários ali na prateleira porque da maneira como esta cabeça anda daqui a 10 anos o Alzheimer ataca forte e feio. Depois nem "shit", nem "merde" nem o raio que os parta a todos!

 

 

O que vale é que tenho cojones e amanhã é fim de semana!

 

 

 

 

 

 

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