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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


19
Nov08

"Podes sair de vez!"

por Pobre(o)Tanas

 

 

- Joana tu és super inteligente, tens potencial... Não és mulher para mim.

 

 (...)

 

- Desculpa ter entrado na tua vida pela segunda vez. Posso dar-te dois beijos de despedida?

 

- Não. Podes sair.

 

 

A. abre a porta, pega no saco dos seus pertences e vira-se para a ver uma ultima vez. Ela, vira a cara enquanto lhe fecha a porta para sempre. Tem aquele problema. Não consegue olhar nos olhos de quem lhe mordeu na mão. Sabe que terá de conviver com isso. Por falta de confiança em quem a rodeia.

 

 

Acabou.

 

 

Não sente dor. Já passou por ela. São companheiras de longa data. Sabem conviver.

 

Dos seus saltos altos, andar de felina confiante que sabe que provoca, ela dirige-se à casa de banho, acende uma vela, abre a torneira da água quente, da banheira, e deixa encher. Passa as mãos pelo cabelo escuro que lhe cobre as costas. Mira-se ao espelho. Não há vestígios de rimel escorrido pela face. Porque não chorou. Nunca choraria à frente dele. Seria humilhante de mais.

 

Despe-se e deita-se na banheira, submergindo a cabeça debaixo da água quente. No passado estaria a cortar o corpo para ultrapassar a dor psicológica pela física. Mas isso é para os fracos. Essa etapa já é tão longínqua que parece nem lembrar de como se faz.

 

Ergue-se, tacteia à procura do maço de tabaco. Acende um cigarro, sorve o fumo que expele pelo nariz, porque se sente um dragão quando o faz. A água continua a correr. O corpo está esgotado. Para ter forças para um recital daqueles, de três horas, que de nada lhe valeu, foi preciso não estar "só". Surpreendeu-se com a sua capacidade de deixar um homem bem mais velho sem fala. Esperava um adversário à altura. Com capacidade de comunicação e não um grunho que só soube dizer pouco ou nada.

 

Já nada doi. Talvez amanhã. Talvez nem sequer chegue a doer. Que coisas passam pela cabeça de um homem para mandar às favas algo que nem sequer tinha começado, quando estava tudo bem?

 

Pergunta que lhe martelou a cabeça o dia inteiro. Agora acabou. A pergunta é esquecida. Até porque chegou-se à conclusão que não era a vida dela que ele estava a empatar mas ela a dele. Quando foi ele que voltou à carga meses depois. Se era para os despejar, o trabalho está feito. Bem feito. Se há coisa em que não é parva, é nisso. Nunca o foi.

 

É forte o suficiente para amanhã pensar que foi uma queca sem importância. Porque sabe deturpar os sentimentos ao ponto de nem sequer sentir mais. Algo bom pode passar a mau só porque quer. Foi assim que se defendeu sempre. Engraçado como a dor é mesmo psicológica. Como os sentimentos são psicológicos. Quando podemos enganar a parte do cérebro que trata disso. E mostrar-lhe que é mau. Que não passou de nada. E quando o coração dispara de amor, mais tarde dispara de ódio, de raiva...

 

Para ela já não há odio, nem rancor, nem dor, nem pena. Porque isso é para os fracos. E desses não reza a história.

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4 comentários

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De Zita a 19.11.2008 às 11:37

Embora não conheça o A. algo me dizia pelo que tenho vinda a ler, que essa pessoa estaria de novo porque andaria "carente". Fizeste bem em tentar pelo menos tiraste a conclusão definitiva: não presta.
És bonita (pelas fotografias que aqui apareceram), muitíssimo inteligente e mega independente, por isso não perdeste bem pelo contrário. A conversa de despedida só demonstra a grande fraqueza do dito "sexo forte".

Beijinhos
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De Pobre(o)Tanas a 19.11.2008 às 13:56

Para a frente é que é caminho, Zita:) Obrigada pelas palavras:)


Beijinhos
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De samueldabo a 19.11.2008 às 18:02

Doce menina maravilha.
Querida J....
É um monólogo, mais um que travaste contigo no silêncio entre o corpo e a alma. O corpo saiu menos mal, a alma não. Mas está mais forte, a alma a refazer-se, a redimir-se por te ter induzido a acreditar. E tu estavas confiante, se voltava!...Eles não dizem porquê, mas há sempre uma razão, um cheiro (será das gatas?!...), um sintoma de inferioridade (será medo?!...).Anima-te, estás mais forte, olha para dentro de ti onde guardas o tesouro e sorri à tua hora que chega.
Beijinhos amigos
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De Pobre(o)Tanas a 19.11.2008 às 18:23

Se for das gatas... Ainda bem que foi que voltou costas às 3. Não tolero que não as amem. Mas ele gostava delas.

Cá estou. Anestesiada. Não me deita abaixo. Isto foi apenas um "toque" comparado com tantos encontrões que já levei...

Sou Minha:)

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