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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


13
Out08

E ficamos por aqui...

por Pobre(o)Tanas

Há coisas que simplesmente não consigo deixar passar em branco. Coisas essas que muitas vezes me deitaram abaixo e/ou fortaleceram. Contigo aconteceu-me isso. Foste embora e eu fortaleci. Mal ou bem recompus-me, mal ou bem consegui o que tenho agora, mal ou bem acolhi-me no ninho daqueles que na hora me chamaram para perto deles e mal ou bem consegui voltar à pessoa que era, com a vida regrada que tinha, com mais responsabilidade é certo, mas com a minha simplicidade de viver, o meu sorriso, que tantas vezes era contido, começou a aparecer cada vez mais e eu estava a conseguir erguer-me. Até que...

 

 

Voltaste à carga. Como se 5 meses (20 semanas) nunca tivessem passado, como se tudo e todos estivessem em coma e depois tivessem acordado e o mundo estivesse parado à espera desse acordar como se nada fosse. Mas não foi assim... Eu não estava a dormir. Passei muitas noites em claro sem saber para onde me virar e sem saber que mal tinha feito para merecer mais um embate destes, que coisas podia ter dito que não fossem para o teu bem e para o meu que te fizessem fugir outra vez. Mas não choro. Nem tão pouco derramei uma lágrima quando te foste. Derramei por mim, porque não sabia que mais esperar. 

 

 

Mãe, tenho de to dizer, não tenho forças para encarar mais um abalo destes. Não consigo. E por cobardia - porque nos tornamos cobardes em algumas situações - te digo que não posso continuar a alimentar este “Espera que já volto/Não esperes por mim”. Porque não é disso que preciso. Não é deste tipo de relação que necessito para o meu bem estar. Que apareçam/desapareçam como se de marinheiros se tratassem. Como se eu fosse um porto de abrigo. Não vou deixar que me usem outra vez, ou pelo menos que sintam falta de mim quando lhes apetece. E foi isto que consegui nestes últimos meses (quase meio ano). Não deixar que me usem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E quando voltaste tudo o que conquistei dentro de mim foi em vão. Porque não consegui dizer que não. Mas mãe, mesmo que seja por e-mail, penso que esteja na altura de dizer esse “NÃO!” por mais que doa, por mais que custe. Mas preciso de mim. Preciso de estar dentro de todas as minhas capacidades psicológicas para atravessar esta etapa da minha vida. Já atravessei o deserto, já estou à beira mar (com as minhas “miúdas” pequenas) e com os meus que restaram. Porque no fim foram poucos os que ficaram aqui comigo. E não posso deixar que entres outra vez para me fazer juras, me fazer dar-te tudo o que tenho (porque sempre foi assim, sempre todos te deram tudo para que ficasses bem) e depois ires embora quando já não precisas, quando estás saciada.

 

 

 

 

 

Quando dizes a outros que são a “família” que sempre desejaste. Não te condeno. No entanto acho que deverias lembrar-te que antes de teres uma “nova família” tinhas uma “velha” que saiu de ti. Que carregaste 9 meses no ventre e uma delas carregou outra, mais 9 meses. 21+32+11 = 64 anos. Soma da minha idade, da minha irmã e da minha sobrinha. Mas compreendo-te.

 

 

Não acredito em ninguém, desculpa-me mãe, mas não acredito em ti. Sabes a historia do Ulisses? Em que ele teve de navegar no mar das sereias que encantavam aqueles que o atravessavam, com as suas melodiosas vozes? Para não se deixarem encantar os marinheiros levavam os ouvidos tapados e remavam, remavam. Mas o imprudente Ulisses não quis saber. Quis ouvir as melodias. E sofreu, sofreu muito. E tu encantas, mãe. A tua voz aconchega por mais ríspida que seja. Mas mãe, já atravessei esse “mar” muitas vezes e não tenho forças para ser outra vez amarrada ao mastro. Perdoa-me mas não consigo.

 

 

A minha caminhada daqui para a frente é sozinha e com aqueles poucos que me ficaram. Posso ser tua filha, mas como aquelas amigas que éramos… Acho mesmo que perdeste tudo isso. Mas desejo-te tudo de bom. No entanto o chamado “Papel Principal” é todo MEU agora e cheguei aqui, não volto em nada para trás.

 

 

As escolhas foram tuas e eu cosi a baínha da minha vida com as linhas que deixaste.

 

 

Beijos

Da tua filha

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1 comentário

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De umcasoraro a 13.10.2008 às 22:35

É assim mesmo míuda!!!
Tu não és nenhum farrapo, que as pessoas possam usar e abusar quando quiserem, mesmo que sejam as nossas mães.
Eu sempre tive muitos conflitos com a minha mãe, as coisas só começaram a melhorar depois de eu ter dito muitas coisas que me doeram mais a mim que a ela, depois de muitas zangas, saídas de casa, até ela perceber e aceitar que eu sou assim, tenho o coração na boca, tenho mau feitio e muitas vezes falo com sete pedras na mão, mas estou sempre lá quando é preciso, nunca falho...
O que não signifique que lhe passe sempre a mão pela cabeça, porque isso não é sinal de amizade, carinho ou amor, é até, por vezes sinal de indiferença, tipo "faço-te-umas-festas-agora-e-não-me-chateias-mais"
Adoro os meus pais e o meu irmão, mas aprendi com a vida que por muito que agradeça tudo o que fizeram por mim não contraí nenhuma dívida eterna com juros acumuláveis, eles fizeram por mim o que achavam melhor e retribuo como posso, mas não admito cobranças...
Ao ler este post percebi que cresceste e que descobriste coragem onde às vezes pensamos que não temos, sei que escrever este post te doeu mais a ti do que alguma vez doerá à tua mãe, mas faz parte da nossa independência emocional, de seguirmos com a nossa vida sem nunca esquecermos quem nos pariu e amou nem que seja de uma maneira confusa, no meio de tanto amor distinguimos o que nos faz bem e o que nos faz mal, porque nem todas as formas de amar são boas...
Estamos lá sempre que precisem, mas não permitimos que nos usem para se sentirem melhor, por muito que nos custe...
Força, aguenta aí!!!
Jinhos Ju

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