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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


24
Nov08

Ressaca da festa :D

por Pobre(o)Tanas

 

 

Eram 6 e 40 da manhã e fui acordada. Enganaram-se na campaínha... E a resmungar, voltei para a cama. Certo e sabido que não dormi mais até às 8... Depois tenho o comboio que me passa ao lado do prédio, coisa que depois do hábito não faz confusão nem treme as coisas, mas naquele estado qualquer barulhinho me fritava a cabeça. De maneira que estou "ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!" assim a modos que como se estivesse de ressaca.

 

A Carol, depois de três meses sem me falar, voltou à carga na sexta feira à noite com sms. É que nem me perguntou se estava tudo bem, como estavam as miúdas, etc, etc.

 

Não me bastava a festa que tive de levar com aquela à noite também:

 

- Olha lá, tens falado com a tua mãe?

 

- Para que queres saber?

 

- Porque acho que a vi agora mesmo.

 

- Pois é natural, a minha mãe é um ser humano como eu e tu e também se passeia por aí...

 

- Claro, caso contrário não estavas cá!

 

- Exacto, mas felizmente estou:)

 

 

Fodidazinha a gaja, ãh?

 

Mas "amori" para o meu lado vens mal. Já lá vai o tempo em que me calava porque eras mais sabida que eu, no presente não tenho nem pachorra nem feitio para te aturar e se vens com meias fodas para cima de mim podes virar-te para outro lado.

 

Estranho disto tudo é que tenha coincidido com a semana em que o amigo do namorado dela tenha dado à sola da minha vida pela segunda vez. Sempre pensei que houvesse mão dela nesta palhaçada toda mas isso é-me indiferente neste momento.

 

Pensava que ia sofrer mesmo a sério a semana que passou, afinal oh para mim aqui fresca que nem uma alface!

 

Chego a ter medo mesmo de já não ter sentimentos. Porque não sofri. Não derramei uma lágrima sequer. Será que estou mesmo insensível?

 

Bom que se lixe...

 

 

 

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Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh SEGUNDA-FEIRAAAAA!

 

 

 --------- » E eu aqui a ruminar chocolates...

 

 

 

 

 

 

 

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22
Nov08

A festa dos Idiotas!

por Pobre(o)Tanas

 

 

Pois é, pois é! Consegui aqui um bocadinho na net e resolvi que não podia esperar para contar sobre a festa!!!

 

Bem, depois do ultimo post e do meu cigarro, chegou imensa gente e eu tive de descolar-me da cadeira, pintar-me mais ainda e por um sorriso estupido na cara. A mulher do Jante 16 quis fazer as coisas à maneira dela e nós deixámos... Não queria interferir nas vontades de Sua Magestade, a Rainha dos "Baixinhos".

 

Posso dizer que foi mesmo como pensei. Uma grande m****!

 

Mais! Saí à hora que deveria sair do trabalho: às 19h já estava de malinha na mão para "desarpar"...

 

Comi uma fatia de presunto, uma fatia de bola que a Dr.ª Fixe fez e que é divinal, duas tostinhas com paté que sabia a caracóis por causa dos oregãos e um chocolate... Tudo botado abaixo com... ÁGUA!

 

Pedi imensa desculpa por ter de sair mais cedo mas tinha "filhos" para tratar. Isto tudo debaixo dos olhos babosos de um velho que por lá andava. Que a meio da coisa, quando estava de costas para ele me disse que "Os anjos não têm asas...". Nojento!

 

Cheguei ao meu humilde lar, dei beijos nas gaiatas, subi ao andar de cima e jantei com a D.ª Orlanda. Perguntem-me o que comi...

 

Ah-ah! Restos de sopa e uns carapaus fritos que me souberam a céu. E sim, comi-os em cima de uma fatia de pão cheia de azeite e vinagre e chupei os dedos de seguida.

 

O patrão não ficou lá muito contente por eu ter saído porque viu-se nas trombas mas quis lá saber. Disse-me que na segunda quer falar comigo. E eu ralada! Que me despeça... Na terça já andarei à caça de novas oportunidades.

 

À noite ainda fui a Telheiras ao Kaffa com a Fi e o Igor. E fiquei contente com o que vi. A ideia do casamento está a fazer-lhes bem. Não discutem tanto e já não puxam cada um para o seu lado. Puxam em conjunto para o mesmo. E fico felicissima por ver os "meus" bem.

 

E ri-me muito. E senti-me bem melhor porque de certeza que estariam todos com cara de enjoo na festa e eu ali, como eu mesma, a beber um ChokaKaffa pela palhinha e a fazer barulho, a trocar com o batido da Fi e a trocarmos cuspos nas bebidas de cada uma.

 

Isto sim é ser feliz. Agora andar ali sem saber que fazer com as mãos, de pé, a sorrir, a pedir licença, não poder estar de costas para ninguém, saber responder com educação e ironia quando não se gosta das merdas que se ouve e vê...

 

Ser feliz é estar com os que se gosta, beber do mesmo copo, usar as mãos para tocarmos nas pessoas que nos são próximas, para gesticular, para mandar "cacetadas" quando nos rimos, ver o Igor com um gorro - porque ele tem uma placa de titanio na testa devido a um acidente que teve entao anda de gorro porque o frio "congela-lhe" a cabeça - e dizer-lhe que parece um doentinho em fase terminal e rir e rir e rir até faltar o ar, até as pessoas olharem para nós.

 

Sair, chamar "amori" e "biju" aos amigos, dar beijinhos na boca à amiga porque sabe bem, "selinhos" como dizem os brasileiros, e saber que estamos prestes a viver coisas novas como o casamento deles, saber que a noiva pode contar comigo para a maquilhar, vestir, estar com ela num momento importante... Saber que simplesmente se sabe.

 

Sou feliz...

 

 

 

 

É verdade, venho por este meio, fazer um favor à minha amiga...

 

 

Venho aqui dizer mal, perdão, corrigir pequenos defeitos, da loja, onde a minha "Noiva" foi maltratada. Parece que o filhote dela partiu lá qualquer coisa, que a minha amiga quis pagar porque o seguro do menino cobria qualquer coisa que ele fizesse, e os trastes da loja tratam-na mal, à familia dela e ao menino, que por ter 2 anos, coitadinho é normal que faça asneiras. Não quiseram que se pagasse nada mas trataram mal o cliente.

 

Por enquanto não vou dizer o nome da loja - só se me pedirem muito - mas como me parece que está tudo resolvido, fica aqui um desabafo da Fi pelas coisas que lhe disseram...

 

Parece-me que o filhote dela, o P., levantou a saia a uma manequim para lhe ver as cuecas e estão a ver o filme... Cai o manequim, que empurra o seguinte, que empurra outro e segundos depois a montra está toda no chão...

 

Ao inicio tive de me rir... Não resisti! Malandro o miudo!

 

 

 

 

Pronto e agora vou deixar-me estar na caselas da minha irmã, com a miuda, e saborear o que resta da família e que tão bem me sabe.

 

 

Até segunda, se entretanto não for despedida!

 

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21
Nov08

3,2,1....

por Pobre(o)Tanas

 

 

É só para dizer que...

 

 

A festa vai começar...

 

 

E... Ainda ninguém apareceu!

 

 

 

 

 

Er... correcção... Afinal acabou de entrar alguém...

 

 

 

 

 

Vou fumar...

 

 

 

 

 

 

 

 

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21
Nov08

Sopa é para comer sem colher!

por Pobre(o)Tanas

 

 

Ninguém à volta...

 

Pobre(o)Tanas abre a porta do microondas na copa - há uns tempos copa para ela era das árvores hoje sabe que é um nome fino que se dá a uma cozinha de estaminé sem fogão e só porque é chique - e vá de enfiar o tupperware da sopa lá dentro. Sopa de feijão que a D.ª Orlanda com tanto carinho lhe preparou para hoje. Dia de stresse mental.

 

Enquanto aquece vai ao café do lado pedir uma colher à doce Ana.

 

- Hoje há festa aqui ao lado. So me apetece esmifrá-los.

 

Ana ri-se. Entrega a colher.

 

- Esqueci-me da minha. Já ta devolvo.

 

A sopa está pronta. As pessoas reapareceram. A esposa do Jante 16. Também ela Jante pequena. Pobre(o)Tanas atrapalha só com a presença mesmo que não incomode. Mas retira a sopa e mexe-a com a colher. Olha para aquele caldinho de optimo aspecto. Desce as escadas em direcção à secretária. Olha em volta, tudo se escondeu outra vez, e vá de emborcar o conteúdo do tupperware pela boca abaixo. Pelo menos naqueles 2 minutos sentiu-se em casa. De repente sente-se observada. Não estava só. A esposa...

 

Pobre(o)Tanas olha para ela, para o Tupperware vazio, olha de novo para a mulher de boca aberta e diz:

 

- Devia tê-la deixado mais tempo a aquecer...

 

 

 

 

 

 

 

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21
Nov08

 

 

9 e 20 da noite e enfiei-me na cama. Fechei portas e janelas ao mundo e deixei-me estar com a minha neura. E dormi com ela. Estava tão lixada que nem tive frio, aliás o calor dos nervóticos bastou-me porque tinha os pés em brasa, nem me custou a adormecer. Foi tiro e queda! Tipo "Ahhhhhhhhhhggggggggggggrrrrrrrr renheck renheck".

 

Eram 8 da manhã levantei-me, tomei duche, vesti-me como pude e espetei o trombil na base, tipo como enfiamos a cara num bolo cheio de creme. Pintei os olhos como se fosse para o engate e assim vim eu para a rua.

 

No comboio estava tudo a olhar para mim. Mas não, eu não estava com mau aspecto. Estava mesmo de trombas. Mas pelo menos estou pronta para a porcaria da festa de hoje. Estou disposta o suficiente para aturar isto.

 

A Psico acabou de entrar, cumprimentou-me com dois beijos (bleckkkkk) e até deu choque... Vem-me cheia de electricidade estática... Por isso é que aquele cabelo está assim... Parece um rato com gel. Lembram-se das lentes de contacto? Quando ela me acordou uma vez na minha sesta de hora de almoço (no verão e um calor daqueles) para me dizer que tinha lentes de contacto? Pois bem só ontem é que as começou a usar... Parece um saguim - seja la o que isso for, deve ser um macaco - misturado com o Mr Magoo porque ficou ainda mais pitosga...

 

Diz que deixou de fumar. Sim sim... E o tempo que demora no intervalinho e vai à rua não é o tempo de um cigarro... Eu nasci ontem...

 

O meu amigo velhadas e eu já nos rimos hoje, tal como eu, ele é contra a festa ou pelo menos contra esta palhaçada toda... Diz que tinha visto, quando entrou, um camião e pensava ele que estavam a descarregar leitões. Que deveria ser para o nosso lanche... Que pensava que iam contratar uma empresa de catering... Ele consegue ser pior que eu...

 

Eu devo ser a que vai servir às mesas. Pelo menos já tenho o cachecol que vou por no braço e tenho ali um quadro que serve de bandeja para o caviar e canapés... E o casaco... Como é branco disfarça bem...

 

 

 

Deus me acuda no dia de hoje...

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20
Nov08

F***** e mal paga é o que é!

por Pobre(o)Tanas

 

 

Entrei, neste preciso momento, num estado de furacão. E quando digo furacão é mesmo para, quem estiver proximo de mim, fugir! Hoje tudo me chateia. Tu me faz comichão no céu da boca.

 

O simples facto de o meu colega velhadas falar alto ao telefone porque, coitado, está surdo. A voz irritante da psico que só me apetece mandá-la ir comer m**** que os cães também comem e andam gordos. A Dr. Fixe que não percebe nada de informática e por mim mandava-la tirar mais um curso de novas tecnologias quaisquer a par daqueles que já a mando tirar todos os dias. O Dr. Jante 16 só à paulada e a Dr.ª Nova anda para aqui a olhar para mim como se eu fosse um bicho do mato ou um cromo de colecção rara. Olha "amori" espeta-me na caderneta assim com "cuspe"!

 

Mas a que mais me irrita é a Psico. Juro! Não têm noção de como me apetecia partir-lhe aquela boca fedorenta toda. Aquela "coisa" é uma aberração. É ridícula. Tipo... Mete-me nojo! Vai fazer bolos para amanhã e eu nem sequer vou tocar neles. Porque ela simplesmente é nojenta! Bem dizia uma senhora que ligava para cá:

 

"Aquilo não é uma mulher... Aquilo é um cruzamento entre a mãe dela e um macaco!"

 

A mulher tem a mania que é boa, que é inteligente e tem piada. Senhora, um conselho que lhe dou À BORLA:

 

Olhe-se ao espelho, cultive-se, instrua-se, leia muito e sobretudo se não sabe o que é humor, cale-se!

 

 

 

Peço imensa desculpa por estar a ser horrivelmente mal educada e possívelmente "badalhoca", mas tenho de desabafar. E quem não quiser ler não leia. Tape os olhos, enfie a cabeça na areia (e não, não é como a avestruz porque isso nunca foi relatado, isso foi algo que algum idiota inventou porque enfiou a cabeça na areia, outro idiota perguntou o que estava a fazer e ele "Ah e tal estou a imitar aquela avestruz que ali está...", "Mas aquilo é um dinossauro!", "Não ves que não, que é uma avestruz?", "Epah esta erva é muita nice!"), sei lá faça pipocas e vá ver o Malato ou o "Gordo" com os preços mais que certos, tão certos que até irrita tanta pontaria certeira.

 

Estou lisa. Tão lisa que não há nada que se me "apegue" aqui a mim porque escorrega tudo. Estou farta de andar sempre tesa. Estou f***** com este trabalho de merda. Tanta comida e uma gaja anda aqui que nem dinheiro para o café tem. Mete-me nojo! Esta gente mete-me nojo!!!

 

Por mim enfiava os dedos todos naqueles queijos suculentos que ali estão, nos patés e torradinhas. Trincava tudo, lambia tudo, mastigava tudo e amanhã não vinha trabalhar. Deixava um recado no frigorífico:

 

 

"Aqui está a paga pelo subsídio de férias. Tive de me arranjar por algum lado..."

 

 

Juro-vos, se tivesse lata, latosa, se tivesse TOMATES, roubava a merda dos queijos e empaturrava-me com eles na cama com as gatas a beber uma das cervejas que o "murcão" do outro idiota que escovou os dentes com uma escova novinha que eu lá tinha, deixou.

 

Aquelas cervejas são MINHAS e vou bebê-las quando estiver na merda e vou cair à cama e dormir como se não houvesse dia seguinte. Vou embebedar-me com as cervejas que ele deixou. A mim basta-me uma e fico toldada... Portanto vou apanhar uma tosga com elas! Vou abrir a janela e gritar:

 

 

AHHHHHHHHHHHHHHHHH 'TOU CA NEURAAAAAAAAAAAAA!!!

 

 

 

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20
Nov08

 

 

 

Amanhã, haverá festa aqui no estaminé. O pessoal já anda a trazer vinhos, champanhe, patés, queijos caríssimos... Os convites foram feitos, enviados e aceites. Convidaram-se as famílias e amigos dos que aqui trabalham. A mim coube-me apenas tratar dos convidados. Além disso espero que a certa hora, consiga dar de fuga deste ambiente idiota de quem diz que não tem dinheiro para pagar os subsídios mas que gasta em festas que são desnecessárias.

 

Ontem deixei um envelope ao Dr. com uma mensagem. Para que ponderasse na hipótese de me adiantar parte do meu ordenado antes do fim do mês porque tenho umas contas inesperadas que surgiram entretanto. Que ele pensasse não apenas como meu patrão mas como "pai" que é. Porque vivo sózinha e o dinheiro não chega para tudo apesar de eu fazer uma vida de monge budista.

 

Foi o mesmo que me calar. Nem sequer tocou no assunto. Deve ter deitado o envelope ao lixo para que nem a "crise" lhe tocasse os dedos e muito menos os olhos, o coração.

 

Tenho-me sentido à parte esta semana. Cada vez mais responsabilidade. Cada vez andam mais em cima de mim. E se antes era complicado com 3, agora são 4 advogados e eu para chegar a cada um.

 

Fiz contas, com as despesas que tenho e com aquilo que ganho, sobram-me 125 euros para me aguentar até ao fim do mês. Ao dia 4 já só tenho isto porque tudo o que respeita à casa tem de ser pago, porque não me arrisco. Pergunto-me se sou demasiado esbanjadora. 

 

Saio uma vez por mês para estar com as amigas. Este mes okay comprei botas porque as minhas velhas estavam canejas. Gosto de roupa. Mas é dos chineses. Mais barato não se arranja. O Dr. ainda tem a lata de me dizer que a roupa que tenho não presta porque é da Zara!

 

Disse-lhe que se comprasse roupa na Zara era bem feliz até porque queria dizer que tinha um ordenado que me dava para tal luxo. Mas que ele soubesse que a minha roupa era dos chineses e que até uma saca de sarapilheira me ficava bem...

 

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- Porra Joana! Mas você por acaso sabe o que é um condomínio privado??? Piscinas, campo de ténis, andares todos iguais, luxuosos, jardins bem tratados... Coisas assim?

 

- Não, Dr... Sempre vivi em bairros sociais....

 

 

 

 

Parvalhão!

 

 

 

 

 

Ainda eu queria por o pé de meia de parte... Onde já vai o pé de meia...

 

 

 

 

 

 

 

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19
Nov08

 

A linha foi lançada, com o isco, ao mar. Todos, um dia, fomos ou seremos isco para peixe graúdo ou para um peixito rançoso que nem espinhas de vida ainda possui. Corpo escorregadio, como o de tantos homens e mulheres que nos fogem das mãos. Nos saltam da linha, fogem do nosso isco.
            As águas do Tejo brilham como se estivesse cheia de pequenos diamantes. O Sol remira-se nelas, vaidoso da sua força, da sua beleza, da vida que emana dele. Domingo de tarde. As pessoas passeiam-se à beira rio. Umas correm, o suor cheio de toxinas de semana de trabalho, sai-lhes pelos poros. As famílias que se vestiram a rigor para um passeio de domingo à tarde em Lisboa. A Capital. O centro de tudo e de nada. Belém. Primavera. 4 da tarde.
            Olho para os teus apetrechos de pesca. A cana, a linha, a embalagem da “minhoca”, coisas… O banquinho que trouxeste em homenagem aos meus joelhos. Sorrio, deixo o banco para ti porque sou mulher de me sentar no chão de pernas cruzadas à “chinês”, e volto a focar o brilho das águas do Tejo. Porque sentada no chão sinto as vibrações da terra e consigo saborear melhor os momentos. Estou em contacto com o meu elemento natural.
 
            - Sei que te prometi um passeio de barco e um robalo. Mas como enjoas achei por bem algo mais calmo. Além disso este sítio tem o seu encanto. Olha a ponte por exemplo. À noite é lindíssima.
 
            Observo a 25 de Abril. A minha mãe está na outra margem. Quase que a toco. Mas não quero. Foco-me noutra coisa qualquer. Porque sou mesmo assim. Faço para esquecer. Olho para ti. Estás concentrado na minhoca que se contorce na ponta do anzol.
 
            - Também te contorceste de dor e medo, no “anzol” da guerra que não despoletaste?
 
            Acendo um cigarro, movimento que se repete várias vezes nos meus dias. Fazes-me uma careta que tantas vezes vejo de quem vê uma menina bonita a fumar. Não me incomoda. Dou a mesma desculpa de sempre.
 
            - Um dia deixo… Mas tinhas dor?
 
            Falas-me como se fosses o Manuel António das tuas histórias.
 
            - Não matei. Tinha a dor de matar antes de isso acontecer. Sofrer por antecipação. A inocência que tem, o simples acto de premir o gatilho, tão inocente. Depois o impulso da arma, o choque do “coice” que manda, do disparo, de outro disparo já nada inocente. A queda do outro lado do abismo que há entre as duas civilizações. Por vezes um grito de dor, por vezes o silêncio. Passar pelo corpo que jaz no chão, inerte, boca retorcida como que num esgar, porque não se ouviu a sua última palavra, não se sabe o que pensou naquele instante efémero. O camarada que dá um pontapé no cadáver para se assegurar da rigidez da morte. Do ultimo sopro de vida que o vento não levará mais. Aquele que te dá uma palmada nas costas. Porque é fanático de guerra, por o serviço estar cumprido, porque já não és “virgem” naquilo. Outros porque é assim que tem de ser e porque se está ali para isso mesmo. O que mais custa? Aqueles que não se manifestam… Não sabem se a vez deles chegará. Olha está a picar…
 
            Puxas a linha e eu atiro o cigarro para longe, levantando-me. Observo. Só fui uma vez à pesca e pouco ou nada percebo. Normalmente pesco mais idiotas que peixes.
 
            A linha é enrolada em torno do carreto. Depressa. Dás à manivela. Surge algo. Surpresa! Rio-me tanto que tenho de me sentar outra vez.
 
            - Não era bem isto que esperava. Ora, uma fralda! Não te rias, malvada!
 
            - Sabes, isso acontece-me muitas vezes quando só “pesco”, na vida, porcarias. - Continuo a rir apesar da seriedade do assunto. - Depois ponho-me a olhar para a dita “fralda” e penso no que farei com aquilo. (Silêncio prolongado). Perguntaste-me quantos terão conspurcado o meu corpo. Sabes, também sei ser filha da mãe.
 
            Acendo outro cigarro, estas conversas abusam-me dos nervos.
 
            - Samuel - gosto de te chamar assim - achas que um homem de verdade pode amar uma mulher como eu? Com o meu passado, sem medo?
 
            Ouvem-se as gaivotas que pensam teres pescado peixe fresco. Abres um saco e enfias a fralda lá dentro. Posteriormente irá para o lixo assim que se encontrar um para o efeito.
            Penso no teu gesto. Deitar fora o lixo que se pescou.
 
            - Deve ser a única táctica. Por o lixo no lixo. Não nos sentirmos fracos ou menos bons por nos ter calhado porcaria no nosso anzol. Colocar as coisas no lugar delas. Esquecer. Que depois tratem disso num aterro qualquer. A semana passada disseram-me que eu era uma mulher inteligente, com potencial, mas não me quiseram. Fui posta de lado uma vez mais. Quando falo com aquela força que vem, não sei de onde, de dentro de mim, eles encostam-se à parede mais próxima como se se quisessem enfiar nela. Como se as minhas palavras fossem uma tempestade, um furacão, do qual têm que se abrigar. - Hoje em dia já ninguém sabe falar. Queria vê-los a argumentar para salvar os próprios “coiros”. Morriam, mal abrissem a boca com um “Hum? Não percebi a pergunta.”. - Eles têm medo das coisas, de mim, que eu não seja esta de verdade. Dizem que sou boa de mais para eles. Parece-me que não têm garra e dão desculpas de merda.
 
            Sentas-te ao meu lado, queres uma “passa” do meu cigarro. Sorves o fumo. Tosses.
 
            - Isso pode ser interpretado como uma pessoa que tem um carro que adora. É fantástico, topo de gama, a cor perfeita, os estofos lindos de pele, confortável. Mas têm medo de ter um acidente com ele. De tirá-lo da garagem. E antes que percam o carro num acidente posterior, espetam-se com ele numa parede ou enfiam-no na garagem até ter ferrugem. Não tiveram o prazer de fazer uma viagem bonita, calma, confortável. Não o saborearam. Não o conheceram. Sabem lá que as coisas boas têm de ser experimentadas.
 
            - Sofreu por antecipação…
 
            Acenas com a cabeça. Ao fundo ouvem-se pequenas gargalhadas de criança. Viramos a cabeça em direcção ao som belo que corre até nós. A tua estrela de vida aproxima-se com o sol que o vosso filho concebeu num momento de perfeita harmonia com a mulher, a terra, as constelações, o universo que conspirava a favor daquela semente.
            Reparo nos pequeninos dentes dela e nas mãozinhas que te puxam a camisola.
 
            - “Pêxe”, avô? “Pêxe”?
 
            Pegas nela, senta-la no teu colo e dás-lhe um beijo ruidoso. E lembro-me do meu avô que, na brincadeira, me trincava os deditos e eu ria muito porque fazia cócegas. Contas a história da fralda e o teu Amor, de caminhos de vida, ri-se. Harmonia deliciosa. Vida de tantos anos em conjunto que se mostra em apenas um olhar de consentimento mútuo. A mesma ideia. Levantas-te, pousas a menina no chão, pegas nas tralhas e enfia-las todas no cestinho que serve para isso. Pego no saco da fralda. Penso naquilo como tudo e todos os que me fizeram mal. O lixo está próximo. E eu sei como se faz…
 
            - Quem vota nos pasteis de Belém?
 
            São 4:50 da tarde, em Belém, num Domingo com cheiro a Primavera. Olho uma última vez para a Ponte. Não lhe vou tocar. Nem com o pensamento. Porque o lixo é para ser posto no caixote respectivo. E já não dói…
 
 
 
 
 
 

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Para o SamuelDabo... Ao seu post dedico-lhe o meu que coitadinho teria que percorrer muitos kms de vida para chegar aos calcanhares da escrita do do Samuel:)

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19
Nov08

"Podes sair de vez!"

por Pobre(o)Tanas

 

 

- Joana tu és super inteligente, tens potencial... Não és mulher para mim.

 

 (...)

 

- Desculpa ter entrado na tua vida pela segunda vez. Posso dar-te dois beijos de despedida?

 

- Não. Podes sair.

 

 

A. abre a porta, pega no saco dos seus pertences e vira-se para a ver uma ultima vez. Ela, vira a cara enquanto lhe fecha a porta para sempre. Tem aquele problema. Não consegue olhar nos olhos de quem lhe mordeu na mão. Sabe que terá de conviver com isso. Por falta de confiança em quem a rodeia.

 

 

Acabou.

 

 

Não sente dor. Já passou por ela. São companheiras de longa data. Sabem conviver.

 

Dos seus saltos altos, andar de felina confiante que sabe que provoca, ela dirige-se à casa de banho, acende uma vela, abre a torneira da água quente, da banheira, e deixa encher. Passa as mãos pelo cabelo escuro que lhe cobre as costas. Mira-se ao espelho. Não há vestígios de rimel escorrido pela face. Porque não chorou. Nunca choraria à frente dele. Seria humilhante de mais.

 

Despe-se e deita-se na banheira, submergindo a cabeça debaixo da água quente. No passado estaria a cortar o corpo para ultrapassar a dor psicológica pela física. Mas isso é para os fracos. Essa etapa já é tão longínqua que parece nem lembrar de como se faz.

 

Ergue-se, tacteia à procura do maço de tabaco. Acende um cigarro, sorve o fumo que expele pelo nariz, porque se sente um dragão quando o faz. A água continua a correr. O corpo está esgotado. Para ter forças para um recital daqueles, de três horas, que de nada lhe valeu, foi preciso não estar "só". Surpreendeu-se com a sua capacidade de deixar um homem bem mais velho sem fala. Esperava um adversário à altura. Com capacidade de comunicação e não um grunho que só soube dizer pouco ou nada.

 

Já nada doi. Talvez amanhã. Talvez nem sequer chegue a doer. Que coisas passam pela cabeça de um homem para mandar às favas algo que nem sequer tinha começado, quando estava tudo bem?

 

Pergunta que lhe martelou a cabeça o dia inteiro. Agora acabou. A pergunta é esquecida. Até porque chegou-se à conclusão que não era a vida dela que ele estava a empatar mas ela a dele. Quando foi ele que voltou à carga meses depois. Se era para os despejar, o trabalho está feito. Bem feito. Se há coisa em que não é parva, é nisso. Nunca o foi.

 

É forte o suficiente para amanhã pensar que foi uma queca sem importância. Porque sabe deturpar os sentimentos ao ponto de nem sequer sentir mais. Algo bom pode passar a mau só porque quer. Foi assim que se defendeu sempre. Engraçado como a dor é mesmo psicológica. Como os sentimentos são psicológicos. Quando podemos enganar a parte do cérebro que trata disso. E mostrar-lhe que é mau. Que não passou de nada. E quando o coração dispara de amor, mais tarde dispara de ódio, de raiva...

 

Para ela já não há odio, nem rancor, nem dor, nem pena. Porque isso é para os fracos. E desses não reza a história.

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18
Nov08

Eu...Aqui...

por Pobre(o)Tanas

 

 

De maneira que cheguei à estaca zero... E mais uma vez me vejo aqui, sozinha, comigo mesma...

 

 

Mas pelo menos tentei...

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