Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


 

 

Infelizmente e apesar de ter um sexto-sentido muito apurado - é genético - desta vez enganei-me e não deve ser por agora que a nossa vida leva mais um empurrãozinho. Esta semana não foi decisiva como esperava contudo precisava de ter certezas pois quero orientar e fazer contas à vida uma vez mais. De 6 em 6 meses fazemos um balanço e já está na hora. Queria saber se vamos para fora, se por cá ficamos, se os nossos trabalhos se mantêem porque quero saber com que linhas coso porque o meu contrato só vai até dia 27 de Outubro e não sei se por lá ficarei. Infelizmente estou dependente da vontade da fulana que estou a substituir e ela volta e meia diz que vem depois mete baixa novamente e eu começo a pensar que ela faz é ronha mas enfim...

 

Depois o trabalho do Jacinto já esteve melhor. Estamos em Outubro não tarda e ainda não recebeu o subsídio de férias. Este mês o ordenado foi tirado a ferros e só recebeu no dia 15 daí que sorte temos em haver mais um ordenado que vamos esticando e um pé-de-meia que tentamos nem sequer pensar que existe. No entanto este mês lá tivemos de lhe mexer pois que o meu não chegava para tudo. Começo a pensar que eu tenho mais sorte não tendo uma licenciatura que ele com o canudo de Engenharia na mão.

 

Este impasse deixa-me nervosa, irrequieta e irritada. Quero ver a nossa situação estabilizada, quero arranjar mais uns trocos para o que aí vem (tenho a certeza que não será famoso) e quero acima de tudo estar descansada sem ter nunca de pedir nada a ninguém. Nunca o fiz e não será agora certamente.

 

Claro que fico apreensiva quanto a irmos para fora mas a minha vida já mudou tanto que chego à conclusão que sou de onde moro e que serei de onde me apetecer estar. Queria que ganhássemos estofo, fizéssemos um pé-de-meia ainda maior do que aquilo que conseguimos aqui e voltar para não mais sair. Ter 2 ou 3 filhos, arranjar um trabalho normal que desse para tudo e depois descansar até à idade da reforma que seria a viajar de caravana. Na minha cabeça tudo está arrumado a longo prazo mas a curto tenho imensas dúvidas, medos e desejos.

 

Acredito que esteja mau em todo o lado mas aqui já sei com o que conto. Conto que nunca tive umas férias de jeito com o meu companheiro para poupar para um carro pois que o nosso com os seus 11 anos já começa a precisar de reforma, conto que entretanto tenho de ajustar o prazo de compra porque preciso de um sofá novo uma vez que o velho está roto e coçado dos nossos rabos e dos dos anteriores donos que nem nunca os conheci, mas ainda no meio disto metem-se as compras para comer e outros bens de primeira necessidade do nosso dia-a-dia. Conto que torna-se uma bola de neve. Conto que depois é preciso mais um móvel porque o sofá novo não fica bem com os anteriores. Conto que depois há que pintar anualmente as paredes e porque não mudar a cor? Conto que o que calhava bem era mais uma tela - felizmente tenho dotes artísticos e consigo fazer as minhas próprias telas e com isso poupar mais uns trocos - um candeeiro e bom, bom mas mesmo bom era contar com mais uma mesa para a sala e mais quatro cadeiras, pátati-pátatá... Conto que quando damos por isso o bolo de dinheiro que seria para o carro já levou um corte e alimentou outras necessidades que não sendo de primeira, segunda nem de terceira necessidade, são precisas porque podia meter fita-cola no sofá, ou cosê-lo e por ali uma almofada a tapar e disfarçar pois podia, mas bolas! também gosto de ter uma casa arranjada já que passamos todo o nosso tempo livre em casa. Conto que um dia posso não contar com os nossos ordenados para coisas necessárias quanto mais um carro. Depois que fazemos? Vendemos o sofá e os móveis?

 

O prazo já não será para o fim do ano, nem sequer Maio próximo. No mínimo um outro Setembro que não este. No fim mas mesmo no fim acabamos por pensar que um carro que faz Estremoz - Portimão - Almada - Estremoz e mais 3 dias de voltinhas aqui pela terra com apenas um depósito é um carro que poucos têm e que se calhar até temos mais dinheiro por isso mesmo. Que Deus o estime mais outros 11 anos levando apenas uns pneuzitos em segunda-mão por ano, uma bomba da água volta e meia e pouco mais. Mas também sabemos que um dia que queiramos ter filhos estes não podem ir na mala do carro juntamente com os cães, visto ser comercial.

 

No entanto também tenho noção que comparado com muitos portugueses temos uma boa vida. Não passamos privações quanto a comida, vestuário, calçado, passamos de não ter férias como queríamos ou termos de deixar de fumar para poupar ainda mais, tudo prazeres terrenos mas não passamos dificuldades de maior até porque temos tv por cabo, telemóvel, internet tudo coisas que muitos não têm e que no fundo servem só para nosso entertenimento e ronha caseira... E só de refilar por nunca ter tido umas férias de jeito a dois roça o rídiculo se pensarmos que há quem nem se possa dar ao luxo de as ter, pois que muita gente durante os dias de férias que lhe são devidos trabalham noutras coisas para ter mais uns dinheiros e fazer face às despesas de comida da família.

 

No início do mês caímos na asneira de fazer o grosso das compras mensais numa superfície que se desunha quanto a publicidade de talões, cartões e merdelins. Sei que por 5 sacos bem cheios pagámos 190 euros. Hoje, fui à concorrência que diz não ter talões nem cartões, com uma publicidade muito chata é verdade, mas sei que paguei menos 100 euros. E vim com coisas caras que não sendo de marca, no que toca a quantidade até doi, papel higiénico, ração para 2 cães e 4 gatos, areia - pois que os meus animais não os ponho à porta de ninguém -, difusores para a casa porque gosto de a ter cheirosa, peixe, leite, coisas para higiene, queijo, fiambre, detergentes para o chão, massas, iogurtes e tinta de cabelo. A meu ver, como mulher, até poupo bastante visto ir ao cabeleireiro quando o rei faz anos - neste momento tenho um cabelo que me chega ao fundo das costas porque nunca mais fui arranjá-lo nem cortá-lo, prefiro fazer em casa tudo isso: depilo-me, arranjo unhas, pés, sobrancelhas e buço tudo em casa. O cabelo do Jacinto sou eu que o corto também. Com isto tudo é obvio que menos 100 euros é metade da nossa renda e imenso jeito nos dá e não gastando em pequenos luxos como ir ao cabeleireiro mais sobra ainda.

 

Quanto a roupa, a semana passada fizemos uma selecção de alguma para dar, outra que o Jacinto encontrou nos armários de casa dos seus falecidos pais e que já se usam novamente, mesmo camisolas de malha que tanto dão para ele como para mim no inverno rigoroso cá de baixo que de manhã com menos 2 graus nem olhamos para a vestimenta, queremos é algo quente. Tenho sapatos bons com fartura do tempo da outra senhora e tão depressa não preciso. Ele precisa de ténis, pois é com eles que trabalha de inverno e verão e como se sente confortável mas será lá mais para a frente. Temos reduzido em muita coisa e desde que deixámos de fumar conseguimos poupar 350 euros por mês sendo que pomos o dobro de parte para o carro. Mas agora que passaram 7 meses sem fumar faço contas e penso como conseguíamos gastar tanto em tabaco e manter outras coisas ao mesmo tempo quando agora poupamos tanto, fazemos mais contas, apagamos mais as luzes, fechamos mais a torneira mas custa-nos cada vez mais chegar ao fim do mês com algum que não seja o que poupámos. Pois esse quando cai na poupança é para esquecer de imediato. É dinheiro que tentamos pensar que não existe.

 

Temos receios de os ordenados ficarem retidos, temos, e com isso o medo de tudo o que daí advem mas sei que também temos forças para encarar adversidades e tão depressa descalço o sapatinho e dispo o casaco para calçar as galochas, enfiar o avental e as luvas e ir para o campo trabalhar para manter a nossa vida no mínimo como a temos de momento pois menos que isto não gostaria de ter. Conseguia perfeitamente adaptar-me porque já lá estive mas voltar à estaca zero com o Jacinto a meu lado e posteriormente arrastar a vida de um filho nosso era no mínimo desgastante para mim e uma facada no meu ego.

 

Mas gostava de melhorar a nossa vida. Gostava. Tentar, lutar por isso não é crime e eu queria deitar mãos-à-obra para arranjar mais comodidade nas vidas que queremos deitar ao mundo um ano destes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E siga para bingo que amanhã já é segunda-feira e não haverá novidades...

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D