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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


Olhando para a minha família assim num todo, deixar que a alguns lhes crescesse a barba e era enfiá-los num freak show e ainda ganhava bons trocos com isso. Comprava mais depressa o carro que pondo o dobro do dinheiro de parte até Novembro como estipulado. Qual quê... Em Maio já andávamos de cu tremido!

Por vezes o Jacinto pergunta-me se a minha família é maior ou quantos primos tenho... Rolo os olhinhos e solto um

"Sei lá... Direitos só tenho 2 e não gosto da miúda que é muita snob e c'a mania das riquezas..."

Depois lá lhe conto alguma história que englobe mais primos do que aqueles que contei que tinha e ele diz-me que afinal tenho imensos.

Tenho... Tenho tantos que 50% não conheço ou não me lembro deles... São em 3.º, 4.º, 5.º, 29384º grau tipo ciganos em que a prima do irmão da tia da avó da enteada da cunhada também é prima. Tenho tantos que posso passar por eles numa rua, vê-los sentadinhos no chão e dar-lhes uma esmolinha... Ou eles a mim pois acho que também tenho daqueles com guito nem que seja ganho através de lavagem de dinheiro...

Daí que de momento não privo com família que não passe por aquela que esteve comigo mais de uma vez por mês durante o meu crescimento. Por isso quando a minha mãe me conta que o meu tio Manuel das Entaladelas fez isto ou aquilo, que está chalupa ou diabo a sete, que a minha prima Josefina do Céu que Deus tem foi apanhada a pinar com o filho do Padeiro da rua direita há 40 anos atrás e foi enclausurada num convento, que o primo Romeu das Empadinhas era o mais inteligente da família mas um ataque apoplético o levou para o lado de lá do real vivendo agora maritalmente com o Principe da Branca de Neve num resort qualquer no meio do Pacífico, eu pense para comigo que deve estar a falar de algum vizinho de uma colega dela que nunca vi mais gordo ou de personagens de algum livro barato que comprou.

Infelizmente não tenho a família que o Jacinto tem em que todos se juntam e quando o fazem (que são imensas vezes) várias mesas têm de ser postas lado-a-lado para que caibam todos a confraternizar.
Na minha família ou não há tempo para confraternizações ou está tudo de costas voltadas por causa de partilhas ou zangas de há 5 gerações.

Acredito que hajam primos que não me falem porque a trisavó deles e a minha se chatearam por um par de cuecas cagadas no lavadouro da aldeia... Por uma pulseira que pertencia a 15 irmãos e que um dia *puff* desapareceu e todos se atacaram com sacholas, forquilhas e um tractor com uma charrua atrelada sem nunca pensarem que podia ter caído num buraco do chão da casa ou alguém fora da família a tivesse "levado"... Não... Ninguém tinha inteligência para ver outras hipóteses como roubo, perda, extravio ou desvio levados a cabo por alguém que nada tinha a ver com a família... Não senhor... Não se acha é porque "(...) foi o meu irmão/ã que a roubou para comprar um terreno só para ele/a que nem sequer terá nunca uma licença de construção e habitação e sim meia duzia de castanheiros que nem castanhas de jeito dão para se vender".

Um irmão compra um carro, o outro compra o topo de gama da marca... Mesmo que fique desfalcado e sem dinheiro para dar de comer à família ou viva numa barraca sem luz... Que interessa? Tem um Rolls Royce Phantom VI à porta da barraca pois que a ideia era essa...

O meu irmão fica chalupa e tem de tomar medicação diária para não se ficar de vez ou matar alguém com os seus ataques de neo-nazismo extremo derivado de uma bipolaridade com rasgos de esquizofrenia aliados a um comportamento obsessivo-compulsivo e nós como irmãos dele vamos ajudá-lo... Marcaremos uma reunião para ir a casa dele e fazer o testamento mais depressa antes que ele seja preso por posse de droga ou se mate debaixo de um cavalo da GNR numa procissão.

Sou viúva, tenho uma casa humilde, um ganha-pão e 3 filhos pequenos para sustentar. O dinheiro é contadinho, não dá para tudo mas ninguém passa fome. Vou ao mercado e compro 3 postas de pescada no fim do mês para os meus filhos, a minha prima vê-me e comenta com outra prima nossa que sou uma esbanjadora e que não sabe onde vou ao dinheiro mas que devo andar metida com o patrão e quiçá o meu ultimo filho não terá umas certas parecenças com ele... Mas se não andei com o patrão fui muito burra pois ele até que era um bom partido e um senhor de classe que me daria uma vida desafogada e amaria os meus filhos como se fossem dele.

Isto é a minha família ou o que ouço dela... Assim de longe... Com um funil no ouvido.

Por isso prefiro estar no anonimato de toda esta gente que parece que tenho como parentes mas que nunca vi no seu todo. Até porque deixei-me de coisas familiares. Não sou nada "família"... Já fui. Mas tenho aprendido que isso dá muito trabalho e requer muita medicação.

Toda esta conversa tem uma razão de ser... A herança que o meu avô materno é capaz de ter deixado...

Isto agora é tipo as pessoas em direcção a um qualquer festival de música para ver a sua banda preferida actuar. A caminho todas se juntam e entreajudam a encontrar o caminho, a estrada que lá possa dar, chegados à entrada já torcem os narizes na fila e até se vê um ou outro empurrão, quando entram todos querem ficar na primeira fila do palco e há dentadas e merdas a voar em direcção à cabeça dos outros e se algum artista manda as suas cuecas ou peúgas para o público, matam-se todos por um pintelho...

Família e época de heranças é tal e qual isto... Ajudam-se na questão de advogados e demais papelada para foderem quem tem maior parte da herança, no dia das partilhas já se olham de lado e quando sabem o que coube a cada um há merda na certa...

Por estas e por outras decidi que nunca hei-de ter nada que os meus filhos possam herdar... Quando for velha com o meu Jacinto estouramos o guito todo em moteis e sandes de presunto e queijo da serra. Aventamos os maços de notas para cima da cama e acendemos uns joints com eles já de barriga cheia!

E sim fumarei nos meus últimos dias de velhice! Ou dava o dinheiro todo aos filhos?... Está bem, está! Quando for velhinha terei o direito de fazer as coisas que me derem real prazer e fumar um bom cigarro ou mesmo uma ganza coçando os meus cabelos brancos enquanto escrevo ou desenho debaixo de uma árvore em pleno Agosto do ano 2041 será sem dúvida uma delas. E isto podem escrever! Por agora e nos próximos sei lá... 30 anos quero manter-me bem afastada do tabaco e tudo o que possa trazer consigo e isto é mesmo sério pois quero estar saudável e ter uma casa respirável para os meus filhos, depois que tenham idade de ir para a tropa, faculdade, boites ou lá o que precisarem de fazer para o seu ritual de passagem à vida adulta, orientados e com mentalidades formadas, eu e o paizinho vamos fazer o que nos der na telha!

Quem sabe não montamos, de caminho, um casino clandestino ou um outro antro qualquer?

(Ace Of Base - Living In Danger)


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