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Agora sou esposa, mãe, completa! Mas continuo minha... Sempre!


23
Jan11
Há pouco estivemos a ver o filme Marley & Eu. Eu já o tinha visto, o meu Jacinto é que não e o livro já o reli triliões de vezes desde que o tenho há uns 3/4 anos...

Pena que o filme não tenha recriado partes do livro bastante interessantes o que me leva muitas vezes a ler os livros e a não ver os filmes ou vice-versa pois fico sempre com a sensação que falta alguma coisa ao filme ou o livo tem coisas a mais.

Mas posto isto e como sabem temos em casa não um Marley mas um Pablo, uma Pipa, uma Piggy e uma Zappa - esta última com o nome que começa com a última letra do alfabeto por ser o animal com a personalidade mais vincada.

Quando me juntei com o Jacinto já trazia a reboque as duas gatas e ele não muito acostumado a gatos em casa lá se rendeu aos encantos das Marias Pimpolhas como pode e hoje só não faz o que não pode por elas. Sendo que os gatos são animais muito independentes, creio que não temos gatas mas sim mais dois cães em ponto pequenino de tão meigas que são, por se darem ao seu nome e por as chamarmos estejam onde estiverem e elas virem ao nosso encontro. De quando chegamos a casa, virem logo a correr a miar quando não estão a dormir ferradas, e darem-nos tantos mimos como o cão mais doce do mundo. Daí que quando me falam em gatos que se assanham, que são ruins, interesseiros, não sei do que falam e até fico revoltada pois sei bem que a educação deles dispendeu muito do nosso tempo, principalmente do meu pois o Jacinto ainda não vivia connosco.

Basicamente um gato sempre será um gato, sempre levará o dono a fazer o que bem entende ser melhor para o seu conforto mas de uma forma subtil que nos levará a pensar que fizemos aquilo porque queremos... Claramente somos enganados, mas vivemos muito bem nessa ignorância. Eles ali estão e nós aqui, se eles quiserem colo não pedem, simplesmente saltam para cima, se não quisermos e os pusermos no chão, eles voltam a saltar e fazê-lo-ão 20, 30, 100 vezes as que forem necessárias. Até um dos dois desistir. Normalmente é o dono...

Um gato não pede comida, exige-a mas de forma como que se estivesse a querer que tenhamos pena. Roçam-se nas nossas pernas, miam desalmadamente, roçam-se outra vez, miam novamente como se estivessem a ser esventrados e miam até quando já estão a comer. O dono obedece. Tem pena? Tem, mas mais uma vez foi enganado. O gato nem sequer comeu, lambeu apenas a comida, virou-lhe o rabo e vai aninhar-se novamente no sofá. E o dono apanha a taça da comida e arruma tudo. Não passa de um pseudo-dono... É sim um escravo de vontades.

Um gato não deve entrar no quarto dos donos mas fá-lo... Umas vezes matreiramente, não estando ninguém a ver, escondendo-se de seguida no emaranhado de lençóis até que duas horas depois alguém dá por falta dele e ele já dormiu o seu sono de beleza e vem a esticar-se como se nada fosse. Outra vezes entra com alguém a ver mas finge que nada o pode deter pois "ninguém ali está". O dono é um nada neste mundo infinito que é o quarto principal. Uma bolinha de cotão. Mísera bolinha... Outras entra furtivamente porque assim o quer. Nada importa. Há dono mas "vou entrar". Há hipóteses de ser escorraçado mas "que se lixe"! O mundo dos lençóis vale bem a palmada que vou levar!

Ser gato é mostrar que se sabe governar quando os outros pensam que governam. É ser-se Rei quando já há um. Ser gato é como certa vez escrevi, passando a citar:

"Ser gato, no meu ponto de vista, é arranjar mil e um pretextos para se fazer o que se quer quando o objectivo final é algo proibido, levar a imaginação ao limite, ultrapassar obstáculos e melhorar as suas tácticas, tudo isto para, enquanto os donos limpam o caixote de areia, se fazer um mísero xixi no puff da sala..."

Portanto ter um gato é uma coisa muito fácil basta deixá-lo ser aquilo que é: um gato.

Não deixando de ser tudo isto que acabei de mencionar, as minhas gatas fazem-no de forma graciosa sem deixarem de ser meigas e equilibradas. Nunca nos arranharam, nunca bufaram, nunca se revoltaram. E isso deixa-me orgulhosa por as servir. Sim, sirvo-as... Todos os dias...

Quando nos juntámos, 6 meses depois, resolvemos ter um cão. Eu queria um filho mas após quase dois anos ele ainda acha cedo, quanto mais numa relação com apenas 6 meses de existência... Mas eu sou assim. Quando há certezas, vamos em frente. Se bem que da última vez que tivemos certezas, atolámos o carro mas isso é um à parte...

Daí que aproveitando a ausência do Jacinto numa ida de trabalho para o Porto, falei com o criador e guardaram-me um cão. Era para ser surpresa mas não me contive e lá preparámos a vinda do Pablo para casa.

O Pablo, entre todos os irmãos que restavam, foi o único que não quis nada connosco e quase que levávamos o irmão por engano, pois o sacana do Pablo tinha ido para a cama sozinho numa de "Epah estes dois são uma seca, vou ver se me deito e nem dão pela minha falta e levam o outro parvo que lhes morde os atacadores...". Mas não... A tempo descobrimos que aquele não era o nosso cão e lá trouxemos aquele que nos tilha calhado na rifa. 24horas depois o Pablo já não se lembrava que tivera irmãos ou pais, tão bem se adaptou a nós. Dormiu connosco a primeira noite e na segunda já dormia na caminha dele com as gatas a fazerem companhia. Sempre tentámos socializá-lo ao máximo com outras pessoas e animais. Neste momento, 1 ano e 2 meses depois, temos um cão de 30kg, cuja cabeçorra, quando está na sua posição de capa de revista, me dá pela coxa e uma caixa toráxica que faz inveja a um lutador de wrestling de tão possante que é. Tenho orgulho no cabeçudo que criámos pois todo ele é músculo e força. Tem apenas um senão... É bruto que se farta. O que tem de meigo têm de força. E gosta de mostrar que nos ama com força, com cabeçadas, com empurrões não fosse ele boxer. Todas as suas emoções são demonstradas à base de patadas e encontrões. Mas engane-se quem pensa que são maus, que são feios, que se babam imenso. Pois não conheço raça mais dotada de sentimentos pelo dono e família, mais corajosa por maior que seja o cão que lhe apareça e o ameace ou aos seus. Têm aquele focinho metido para dentro mas isso é porque e como conta a lenda, Deus criou o boxer para ser o cão mais belo de todos e o boxer, ainda um molde da raça, como vaidoso que é bateu com o focinho e assim ficou. Daí que se tem uma raça com um corpo fantástico, musculado e poderoso, com uma mandíbula retraída, sendo um cão prognata. Quanto à baba, é mito. Babam-se como qualquer cão... Pingam água quando a bebem como qualquer caniche ou pequenois.

Daí que tenho orgulho neste parvo que temos. Vê-lo dormir e dar-lhe beijinhos pois sei que não me vai empurrar, ouvi-lo ressonar, abrir-lhe a boca e ver-lhe os dentes, abrir-lhe os olhos descaídos das pregas que tem e vê-los rolar. Enfim... É o cão que queríamos e ainda bem que o temos.

Depois vem a Pipa, uma arraçada de yorkshire terrier que de york só tem o pêlo porque pesa 7kg e não faz juz à raça no que toca a refilice com os donos e outros desconhecidos. Temos sim uma cadela meiga connosco, amigos, crianças e brincalhona por natureza. Só refila pelo lugar no sofá e se o Pablo se deita em cima dela. Com as gatas joga às escondidas atrás das roupa entendida no estendal e correm umas atrás das outras.

Está connosco há pouco mais de um mês, desde que perdemos um outro cão que achámos na rua em Novembro e morreu 3 semanas depois após 3 dias internado, e temos de ter muita paciência para a educar pois vê-se que foi maltratada onde estava, daí que ainda faz xixis em casa e encoraja o Pablo a fazer o mesmo, pelo que agora além de educá-la temos de reeducar o Pablo da mesma forma. É uma cadela que quando faz asneira, encolhe-se com medo que lhe batamos e por isso a nossa educação tem-se baseado na recompensa pelas coisas boas quando as faz e no ignorar por enquanto o que ela faz mal. Contudo é uma menina que está feliz, pede mimos e vem ter connosco para lhe vestirmos a camisolinha dela quando vai à rua, brinca muito apesar de já ter uns 3/4 anos e querer só festas quando nos vê chegar a casa.

Penso com tudo isto que ser cão é, e passo a citar novamente o que escrevi há tempos: "com muita humildade, mostrar-se como um ser superior ao Homem, tendo-lhe no entanto um amor nobre, envolvido em fascínio e fidelidade pura".

Mas desengane-se que tomar conta de 4 animais em casa seja fácil. Não o é... No entanto é recompensante vê-los todos juntos. Sai caro ao fim do mês, principalmente se estiverem doentes, mas fazemos tudo o que podemos por eles e com eles. Sair à rua para esticarem as pernas quando o que nos mais apetece é estar em casa ao quente ou ao fresco, limpar constantemente o chão e a caixa da areia, dar de comer diferente pois nem todos comem o mesmo, banhos, escovadelas quando necessárias, limpar o quintal que ao fim do dia os presentes davam para abastecer  Horto do Campo Grande em estrume, os garrafões de ácido úrico que são limpos com água e vinagre para não ficar cheiros. Manter a roupa estendida fora do alcance deles pois no verão as camisas, lençóis e cuecas foram um festival. Lavar mantas e mantinhas. Tirar tupperwares e recipientes que sirvam para brincar e partir. Ainda esta semana o Pablo apanhou um dos grandes e andou com ele enfiado na cabeça, como nada via, foi contra a parede da cozinha... Desviar as coisas de cima da bancada da mesa o mais para trás possível pois ele chega-lhes. Desde roubar manteiga e dar às "irmãs", bolachas, queijo, fiambre... Cá em casa tudo se come em jeito de goluseima, desde tostas a batatas fritas, apenas há uma coisa que não tocam: chocolate. Nem nunca lhe sentiram o sabor...

Mas o trabalho recompensa em tudo, pois adoro quando eles passam por mim e me dão uma lambidela nas mãos ou se esticam nas minhas pernas a pedir que me baixe e os acarinhe. Ver os olhos brilharem quando chegamos a casa, ver o amor que os une aos 4 e a tolerância que têm entre eles, saber que estão lá. Saber ainda que quando tivermos filhos que estes serão acolhidos da mesma forma que todos os que entram cá em casa sejam de duas, sejam de quatro patas. No entanto saber também que se alguém indesejado entrasse na nossa casa e tivesse intenções menos boas, que seria recebido de peito feito e pêlo eriçado, pois e apesar de ser um cão meigo, paciente e trapalhão, temos a certeza que faria o seu papel na perfeição, protegendo o que é dele e aquilo que ele conhece como sendo o seu mundo e esse seu mundo é para ser descoberto de peito feito e sem vacilar. E sei bem da força que ali está contida que tanto dá para brincar como para fazer frente a qualquer mal que possa atingir o seu lar.

Poderia alongar-me a noite toda falando sobre os meus animais e as suas tropelias mas terei imenso tempo para o fazer e dar a conhecer. Apenas queria mostrar que um cão pode ser estenuante mas dois cães e dois gatos têm a capacidade de nos tornar mais pacientes com tudo o resto que meia dúzia de hippies a fumar erva. Pelo que se compararmos os pequenos stresses do trabalho com um cão com um tupperware trancado nos dentes a dar cabeçadas nas paredes, uma cadela a fazer xixi debaixo da mesa da cozinha e duas gatas a miarem desalmadamente a pedir comida e colo, acho que poderemos aventar tudo para o ar e dizer "que se lixe!"







Adoro-os e isso sim, vale cada sacrificio...

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3 comentários

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De Diversidades e Variedades;);) a 24.01.2011 às 09:51

Adorei a descrição dos teus amiguinhos..são lindos!!! agora gostava de ver as gatinhas ;)
Eu com dois, já me vejo cheia de trabalho..ainda por cima o pequenino faz necessidades em qq lado ;) é só andar a limpar a toda a hora, mas sem dúvida que o amor deles é muito gratificante=)

Beijinhos e um óptimo inicio de semana pelas "Calhoeiras";)
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De Sarokas a 24.01.2011 às 12:48

são lindos todos os teus meninos, jmas essa cadelinha dá vontade de apertar!é tão fofa, e o machão de casaco, lindo!!!!!!!!!!!!!
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De Pobre(o)Tanas a 24.01.2011 às 19:34

Diversidades e Variedades: as gatas estão deitadas com a Pipa na primeira foto! Parecem mantas mas são elas :D Sim andar com a esfregona é complicado mas depois fazem caras que uma pessoa nem consegue impor respeito! Um beijinho e Obrigada!

Sarokas: Ela é muito fofinha e meiga ando sempre a apaparicá-la mas no fundo ela é menina do papá que de mim só biscoitos! Mas o meu machão é todo dado aos dois e sou eu que lhe faço estas patifarias :D Beijocas e obrigada!

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